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domingo, 30 de julho de 2017

Até o Manequinho parou de fazer xixi

A semana não foi boa para o Botafogo. Dois ex-jogadores morreram, Max e Perivaldo, e o time levou uma virada histórica do São Paulo em casa, 4 a 3. Talvez por isso, o tradicional Manequinho tenha interrompido sua micção mítica.

Foto: Marcelo Migliaccio

Eu poderia ser torcedor do Botafogo. Cresci perto da sede da Rua General Severiano, vendo Marinho Chagas, Carbone e Nei Conceição de perto. Mas quando mudei pra lá meu coração já havia sido arrebatado por Félix, Lula, Manfrini e outros craques do Fluminense. O que não me impedia de admirar a suntuosa sede do alvinegro.


Foto: Marcelo Migliaccio


E seus ídolos imortais... meus também.


Foto: Marcelo Migliaccio

Claro que durante toda a adolescência eu gozei meus amigos botafoguenses por causa do jejum de títulos que durou 21 anos. Contava em coro e depois cantava "parabéns pra você" antes dos confrontos no Maracanã. Foi um tempo difícil, quando até a histórica sede de General Severiano foi vendida por um presidente, inclusive, cujo pai é homenageado no pé da estátua do Manequinho.



Pés, aliás, muito tem trabalhados pelo artista plástico Belmiro de Almeida. Seu original foi roubado em 1990 e esta réplica foi feita por Amadeu Zani. O time não poderia ficar seu seu mascote desde 1957 e a cidade sem um de seus mais tradicionais símbolos. Se bem que Belmiro se inspirou numa escultura semelhante, na Bélgica. Mas, se o hino do America é um plágio feito por Lamartine Babo, por que o mascote do Botafogo também não pode ser cópia?
A obra belga
O mascote alvinegro


Há divergências quanto à data, 1908, como diz a Wikkipédia, ou 1911, como está no pedestal? Há coisas que só acontecem com o Botafogo...


Foto: Marcelo Migliaccio

Há quem diga que o Manequinho lembra Garrincha quando criança. É, pode ser. Garrincha nasceu em... Pau Grande, afinal. E Manequinho foi retirado de seu lugar original, a Praça Marechal Floriano, no Centro, em 1927, por "afrontar os bons costumes", coisa que Garrincha fazia com seus marcadores dentro de campo.


Foto: Marcelo Migliaccio

A fonte quase sempre generosa refresca turistas no verão, dá banho em mendigos e também pode alimentar mosquitos da dengue. Ninguém é perfeito.

Foto: Marcelo Migliaccio

Talvez, nesta semana de luto para o Glorioso, o Manequinho, interrompendo seu xixi histórico, tenha prestado uma comovida homenagem aos ex-ídolos que foram para a morada do sol.

Foto: Marcelo Migliaccio



2 comentários:

  1. Poucas vezes vi o Botafogo sair vitorioso depois do minuto de silêncio. Aconteceu, por acaso, no jogo contra o Galo. Ali até Jefferson vestiu a camisa do homenageado. Mas era esperar demais que três dias depois a coisa se mantivesse firme. Tinha que dar merda. Certa vez o Botafogo ficou seis jogos sem vencer. A dar início ao ciclo de jejum um feito inédito: o traficante Dudu, da Rocinha, um alvinegro de alma, havia morrido a tiros pela PM. Seis ônibus deixaram a Rocinha com moradores vestidos com camisetas do Botafogo em direção ao São João Batista. O enterro foi uma festa alvinegra com choro, velas e cantoria do hino. Para conter o jejum foi necessário um ritual daqueles para despachar o espírito de Dudu que teimava em assombrar nossos atacantes. Torcedores levaram sal grosso para a arquibancada do Maracanã. Alguns fizeram orações em silêncio. Dito e feito: com a alma de Dudu finalmente em paz, as vitórias retornaram.

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  2. O Manequinho parou de fazer xixi em desagravo ao nosso futebol de péssima qualidade e também porque virou um negócio s.a. tanto para a TV como para alguns milionários jogadores.

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