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sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Crise mundial

É mendigo a rodo nos Estados Unidos, China com a menor taxa de crescimento em 25 anos, 20% de desemprego na Espanha, 15 milhões sem ter onde morar na França, energia 600% mais cara na Argentina, Dinamarca confiscando bens de refugiados de guerra, Inglaterra sem dinheiro para pagar aposentados... 

Esse PT só faz merda mesmo.

Foto: Marcelo Migliaccio

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

A TV (e não a internet) é a cloaca do mundo

É comum a gente ouvir alguém dizer por aí que a internet é a cloaca do mundo, um templo de besteiras onde imbecis de todos os tipos vomitam suas verdades. Acho que confundiram as bolas, pois isso se aplica à televisão e não à web. A TV, sim, é onde se massifica o que a raça humana tem de pior.

Na internet, pelo menos, temos a parte boa, que é justamente aquilo que a TV não mostra, censura por interesses dos grupos políticos e econômicos que a controlam. Imbecilidade na internet divide espaço com inteligência, é possível escolher entre ambas. Já na televisão, onde estão as coisas e as pessoas legais?

A internet é um campo aberto à disseminação de boatos? Sim, mas eles são desmentidos, diferentemente da desinformação maquiavélica dos telejornais. Na web, nós mesmos nos encarregamos de desmentir as inverdades. No mundo televisivo, tiveram que criar uma lei para isso e, mesmo assim, o espaço do desmentido nunca é o mesmo dado antes à calúnia, à injúria, à difamação, à manipulação.

Os radicais, de direita e de esquerda, encontram espaço na grande rede, é verdade. Na televisão, porém, reina o pseudo-liberalismo, falsamente inofensivo, dissimuladamente ardiloso e oportunista. E não adianta mudar de canal, porque a confraria joga unida.

Crimes bárbaros, imagens horrendas? No computador, temos sempre a opção de não clicar; na TV, de repente, um desses programas policiais fascistas estraga nosso dia sem a menor cerimônia, inclusive sem querer saber se há crianças na sala. A web ensina a fazer drogas e bombas? Sim, se você quiser. Já a televisão introduz precocemente a vontade de beber álcool com anúncios de cerveja o dia inteiro.

Bancos, montadoras de automóveis, grandes produtores rurais, redes de supermercados, donos de hospitais e laboratórios, entre outros tubarões mandam nas emissoras de TV. As redes sociais não têm dono, igualam peixes grandes, médios, pequenos e miúdos dentro dos limites de uma postagem padrão.

Nos blogs, no Facebook etc temos toda a diversidade humana, da besta ao bestial. É só escolher. Na TV, nos impingem Ratinho, Faustão, Luciana Gimenez, Datena, João Kléber, Luciano Huck, Marcelo Rezende, Xuxa...

São eles que educaram e educam as bestas da web.

Na TV, só dá opinião quem for papagaio do patrão. A rede social é democrática, basta se conectar e dar seu pitaco. Quem gostou, gostou, quem não gostou bloqueia e pronto. Ninguém precisa passar pela seleção do Big Brother para participar da festa no ciberespaço.


É fato que muita gente usa as redes sociais para fingir que é um personagem idílico de novela das oito, no entanto muitos outros dizem sem rodeios o que pensam e o que sentem. Na TV não há o contraponto, tudo é fake, todos representam personagens, sempre.

A internet é revolucionária justamente por ser um ringue autêntico; a TV dedica-se a embotar o telespectador com sua previsibilidade doentia, seu eterno jogo de cartas marcadas, sua indigência mental crônica, seu mercantilismo sem limites. Onde a televisão coloca suas garras nada mais viceja. Veja o futebol e o carnaval, por exemplo. Viraram eventos televisivos sem alma, o povo foi banido, as agremiações perderam sua essência.

A televisão persegue determinados políticos e protege outros. Na internet é cada um por si. Na TV, só tucanos reinam; na web, para cada Bolsonaro há um Jean Wyllys, para cada FHC, um Lula; para cada Ronaldo Caiado, um Eduardo Suplicy.

Na internet, todos nós temos voz. Na TV, só temos olhos e ouvidos.


Foto: Marcelo Migliaccio




quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

A milícia do bem?

Era tanto assalto, até com morte a facada, que uma confraria de empresários (da Federação do Comércio do Rio) enfiou a mão no bolso e criou uma força armada (mais uma!) para tomar conta de duas áreas nobres de lazer do Rio _ a Lagoa Rodrigo de Freitas e o Aterro do Flamengo _ e também de 20 ruas do Méier, na Zona Norte. Vale lembrar que as duas primeiras já eram fartamente policiadas pela Guarda Municipal e pela PM, o que não inibiu os constantes roubos de celulares, carteiras e bicicletas.

Surgiu então na paisagem essa... milícia do bem (seria isso?) formada por policiais militares da reserva e por jovens que recentemente completaram o serviço militar obrigatório. Recebem carros e uniformes dos empresários, que também lhes pagam. São 363 homens na empreitada. Os assaltos, de fato, diminuíram drasticamente neste primeiro momento, mas...

Sou favorável a qualquer medida capaz de evitar que me encostem uma faca no peito, porém algumas particularidades desse novo policiamento poderiam ser melhor esclarecidas à população.

A quem essa nova força armada responde? Se houver algum problema com suas ações, um abuso de autoridade, uma violência desmedida por exemplo, quem se responsabiliza? Pezão e o secretário de Segurança Beltrame? O Estado? Ou os empresários que a sustentam? A quem caberia uma eventual reparação judicial de danos?

Outra dúvida é se esses homens armados podem pedir identificação aos cidadãos nas ruas. Você é obrigado a mostrar seus documentos a eles? Que amparo legal isso tem? Até agora, eles sempre são vistos abordando gente humilde, na maioria moradores de rua. Checam se o desvalido não tem pendência na polícia por meio de um aplicativo de celular, revistam seus bolsos furados em busca de armas brancas ou drogas. Já o pessoal da elite que desfruta das áreas de lazer está, para eles, acima de qualquer suspeita...

Muita gente _ mas muita mesmo _ acha que foi uma grande idéia de Pezão e Beltrame. O governo do Rio contratou milhares de novos policiais nos últimos anos e os assaltos não diminuíram, pelo contrário. Não há um lugar da Zona Sul carioca para onde se olhe que não se aviste um PM ou guarda municipal. Mesmo assim, ninguém se sente seguro. E, se o governo não consegue nem colocar médicos e material hospitalar nas unidades de saúde, teria dinheiro para continuar aumentando suas forças policiais? Claro que não. Aí entraram em cena os mecenas da segurança.

Cabe perguntar por que esses empresários não investiram na sucateada rede de saúde? Seria porque o sistema de saúde privado é uma mina de dinheiro?

Agora que os empresários e sua milícia entraram em cena, realmente está mais seguro pedalar no parque do Aterro e na orla da Lagoa. Mas é óbvio que os assaltantes estão agindo em outros lugares, nas ruas adjacentes, por exemplo. Você dá sua pedalada e, quando está voltando para casa... créu!

Há muito o governo do Rio vem perseguindo a mancha criminal como o Tom persegue o Jerry nos desenhos animados. 

E, como todos sabem, o Tom só se ferra.

Foto: Marcelo Migliaccio




terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Vai começar a carnificina mental

Alegrem-se, retardados, sádicos, masoquistas e cínicos pois o tratador está prestes a abrir a porta da jaula eletrônica para lhes dar sua ração anual de lixo perfumado.

Vai começar o retrato mais nítido do apocalipse, o Big Brother.

Desta vez, os gênios televisivos capricharam e queimaram seu único neurônio até ele virar cinza para descobrir um meio de tornar esse circo de horrores ainda pior que o do ano passado.

Claro, não faltará a parte cômica: o apresentador do programa tentando dar um caráter edificante àquilo.

Garimparam _ entre milhares de fitas enviadas por bossais que topam tudo por dinheiro _ um time que promete se engalfinhar, submeter-se a sessões de tortura e pagar qualquer tipo de mico diante das câmeras. A mistura é previsível, a fórmula há muito ficou batida: um negro, uma mulata, um caipira, um nordestino, um coroa, dois "caras legais". Meia dúzia de saradões completam o escrete. Quem não bebe está fora. Todos trancados numa casa cenográfica durante três meses.

Uau! Satanás deve estar se mordendo de inveja e imaginando com seu advogado um jeito de cobrar royalties da emissora, porque isso não é coisa que se faça com um ferrabrás que vem inspirando com tanto esmero roteiristas e produtores há anos sem cobrar nada.

Os órfãos do Coliseu lambem os beiços. Mal podem esperar pela estréia, quando é de prache os infelizes serem torturados sem dó.  Talvez tenham que ficar imóveis por horas ou amontoados dentro de um carro. Quem sabe este ano colocam um dos incautos numa jaula com um leão. Vai ser o máximo!!!!

E não se esqueçam de chamar suas crianças para assistir, porque a fábrica de doentes mentais não pode parar.


Foto: Marcelo Migliaccio
Quem não quer ficar famoso? 

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Só no Rio, onde mais?

Chego no balcão da Pizzaria Guanabara para comer uma daquelas fatias deliciosas na primeira garfada e horríveis na última. Para não reparar no ambiente imundo, fixo os olhos na TV. Nisso encosta do meu lado um daqueles garotões experientes de Ipanema. Já foi surfista, já foi magro, já foi bonito, já teve dinheiro.

Ele pede uma calabresa enquanto eu cuido de separar no canto do meu prato o pequeno camarão que adorna minha fatia de portuguesa. Nunca vi pizza com camarão... deve ser coisa de português.

Sinto que o rato de praia ao lado examina meu prato. De repente, a bomba H estoura no meu ouvido:

_ Aí, cara, não vai comer o camarão não?

Tento responder alguma coisa, mas nada sai.

_ Dá pra tu me arrumar esse camarão?

Me apresso em espetar o nobre crustáceo antes que ele tome a iniciativa, afinal quem cala consente. Coloco delicadamente no prato dele com um sorriso de Charles Chaplin no rosto.

_ Vai aê! _ tento parecer natural.

_ Pô, cara, me amarro em camarão...

_ É, né?


Foto: Marcelo Migliaccio




quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

"Se fode aí"

Só existem dois tipos de pessoas: as que se importam com as outras e as que não se importam. Eu me importo, meus pais me ensinaram a ser assim. Ter compaixão, colocar-se no lugar do outro, se aprende. É uma questão de educação. Qualquer um de nós pode criar um cara legal ou um ser abjeto. 

Sempre é possível diferenciar as pessoas por esse critério. Existe o empresário que se preocupa com o empregado, quer saber se o trabalho pelo qual paga oferece segurança, se não é aviltante, degradante, insalubre. Mas tem outro tipo de patrão que não está nem aí. Não quer saber se o cortador de cana fica se matando debaixo do sol oito, dez horas, pra ganhar R$ 20,00; não liga para as condições de trabalho dentro da mina de estanho; obriga o motorista do ônibus a dirigir e dar o troco ao mesmo tempo. 

O primeiro tipo tem prazer em compartilhar seu lucro, divide o produto do trabalho em boas porções com quem lhe ajuda. O segundo, egoísta irremediável, só quer subtrair a força de trabalho do empregado gastando o mínimo possível. Esse tipo odeia secretamente a princesa Isabel. Seria ótimo para ele ter uns pobres coitados dando duro só em troca de teto e ração. Abomina também programas sociais com o Bolsa Família, porque sabe que um faminto aceita qualquer condição de trabalho sem reclamar.

O egoísta não liga pra ninguém. Saudoso da escravidão, é contra também as cotas para negros, e também para os espoliados brancos. O problema é que ele não consegue se colocar no lugar do próximo. Pra ele não aconteceu nada demais com os negros que justifique uma reparação histórica, um oferecimento de condições mínimas para a ascensão social a um povo historicamente marginalizado. Para consumo externo, o respeitável mau caráter condena os 300 anos de exploração, diz que aqueles aparelhos medievais de tortura eram um absurdo etc. Mas fale das cotas para negros na universidade e saberá o que ele realmente pensa.

É cômodo falar em "meritocracia" e citar exceções que só confirmam a regra quando se estudou nas melhores escolas.

Ah, mas há negros que criticam o sistema de cotas e dizem que isso desmerece seu valor... bom, já vi até negro na arquibancada  do Maracanã chamando jogador negro de macaco...

_ A culpa é da princesa Isabel!!! _ gritava ele.

Nunca fui um cara muito sociável mas sempre procurei respeitar o outro. Tento não incomodar, não ser inconveniente, coisa que para muita gente é impossível, eu mesmo nem sempre consigo. Tenho mais de mil defeitos, só não finjo que estou dormindo no metrô para não ceder meu assento a um idoso.

No outro extremo tem o cara que rouba milhões dos hospitais sem dar a mínima pra quem está morrendo. O sacripanta só pensa na  cobertura em frente à praia, no carrão tão grande que nem cabe nas vagas, dane-se o resto. Indignado, quer matar o pivete que rouba no centro da cidade. Não lhe passa pela cabeça o que pode ter levado aquela quantidade imensa de jovens a tornar-se tão insensível quanto ele mesmo. É egoísta demais para achar que também pode ter contribuído para o caos.

Essa gente está por todo lado. Pode ser até o seu chefe, aquele sacana que bajula os superiores e arrasa com os comandados. Seu lema na lida com a equipe é "se fode aí".

Há políticos que agem feito hienas em cima da carniça, como se não houvesse amanhã. Colocá-los na cadeia exemplarmente é o primeiro passo para que haja amanhã. É fundamental que a sacanagem deixe de compensar.

Tenho pra mim que esse egoísmo doentio tão comum hoje é uma conduta animal. Os animais irracionais são assim, defendem ferozmente o que acham que lhes pertence. Quando se educa uma criança para dividir em vez de multiplicar, esse instinto animal é anulado e forma-se um ser humano que vai contribuir para melhorar as coisas, não para piorar. Esse é o papel dos pais, porque nossa sociedade de consumo, apesar das mensagens institucionais belíssimas das grandes corporações, só aponta para o sentido contrário, só valoriza a competição, dá mais valor a quem tem mais.


Foto: Marcelo Migliaccio



sábado, 2 de janeiro de 2016

Copacabana me engana

Fim de papo. Até para o ano. 2016 agora é realidade...

Foto: Marcelo Migliaccio

A carruagem virou abóbora e o Rio voltou a ser o cartão postal nó imaginário de quem não vive aqui.


Não tem mais artista no palco...


Nem vip no camarote.



As acomodações de alto luxo são as de sempre.



Era para ser uma noite como outra qualquer. Escolhida a dedo pelos criadores do calendário.


Foto: Marcelo Migliaccio

Datas, datas, quem precisa de datas? Foram criadas apenas para diferir o José da Silva Santos que nasceu às 16h13 do dia 10 de abril de 1956, do José da Silva Santos desembarcado da cegonha às 2h18 de 11/12/1904. E todos os outros milhões de José da Silva Santos, separados uns dos outros pela folhinha.


Como se o tempo existisse. Conversa fiada, só existe noite e dia. Corpos celestes girando em torno deles mesmos e ao redor de outros. Dia, noite...

O tempo não passa, quem passa somos nós.


Foto: Marcelo Migliaccio

E Copacabana me engana...

Foto: Marcelo Migliaccio