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quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

A UPP é jóia...

A favela em que os italianos foram encurralados por marginais tem UPP. O máximo que os PMs de lá fizeram foi enviar um recado aos traficantes para que devolvessem o corpo e as motos senão a Força Nacional e a Polícia Federal iriam entrar pra rachar.

As UPPs foram apresentadas por Sergio Cabral como a solução final. A "tomada do Alemão" mereceu até transmissão ao vivo apoteótica da emissora que sempre apoiou o agora presidiário. Hoje, o Alemão é um covil pior do que antes. Ontem mesmo uma senhora morreu baleada dentro de casa.

Gostaria de saber o que levou o secretário de segurança José Mariano Beltrame a pensar que os PMs das UPPs não se corromperiam como aconteceu com os dos antigos PPC (Postos de Políciamento Comunitário).

Não culpo os PMs. Eles têm duas opções: fazer vista grossa ao tráfico e ganhar um pequeno adicional de propina aos seus salários atrasados ou virar alvo dos traficantes. No lugar deles, eu também escolheria viver. Além do mais, levar propina é uma mania nacional.

O fato é que um italiano morreu e outro está em estado de choque. Beltrame sempre cobrou "investimentos sociais" nas favelas, sempre disse que só polícia não adiantaria. Mas Sergio Cabral preferiu investir pesado em joalherias...

Quero acreditar que o secretário de Segurança não sabia das mochilas milionárias entregues semanalmente à madame Cabrália. Não, Beltrame não tinha como saber. Só Lula tinha a obrigação de saber de todo o roubo da República. Beltrame, próxima cartada eleitoral preparada pela direita fluminense, não podia saber de nada...

Foto: Marcelo Migliaccio
O Dona Marta, em Botafogo, onde foi implantada a primeira UPP, já voltou a ter tráfico armado 

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

A natureza resiste

Em uma das praias mais poluídas do Rio, elas apareceram para reafirmar que sempre resta uma esperança...


terça-feira, 29 de novembro de 2016

Paulo Julio Clement

Há uns dez dias, nos encontramos no batizado do filho de um grande amigo comum. Chovia quando eu cheguei e, ainda nas imediações da igreja, encontrei o Paulo Julio. Ele só havia achado  vaga para o carro longe dali e sua camisa estava encharcada. Dei lugar a ele debaixo do meu guarda-chuva. Paulo foi padrinho do filho desse nosso amigo, o também queridíssimo André Balocco. A certo momento da cerimônia, com a blusa molhada colada ao corpo, ele me perguntou:

_ Você acha que vou ser um bom padrinho?

_ Claro _ eu disse. Lógico que vai!


Paulo Julio Clement foi um dos jornalistas mais brilhantes que conheci. Foi bem na mídia impressa, no rádio e na TV. Sabia tudo de esportes, futebol principalmente. Lembrava de tudo e este era um dos meus motivos preferidos para encontrá-lo. Ficávamos horas lembrando de jogadores e jogos dos quais ninguém lembra mais. Agora que a fatalidade levou o Paulo, com quem vou falar do Fanta, obscuro meio-campista do Fluminense no início dos anos 80?

Trabalhamos juntos pela primeira vez no Globo, mas em editorias diferentes. Anos depois, no JB, ficamos mais próximos e pude comprovar o excelente caráter desse colega. Era justo como chefe, sabia cobrar e comandar com generosidade e gentileza.

Me chamava de "ponta recuado", aquele que ajuda o meio-campo.

Politicamente, era meu companheiro na esquerda. No Facebook, no auge do tiroteio, não ficava em cima do muro, embora fosse sempre muito mais ponderado do que eu. Descia a lenha no prefeito elitista, combatia o golpe, os preconceitos de toda ordem.

Há alguns meses, depois de várias caipirinhas, mandei-lhe uma declaração de afeto pelo Facebook. Era tarde da noite e ele estranhou. Perguntou por que aquele repente.

Envergonhado, de início culpei as caipirinhas. Mas depois lhe disse que amizades verdadeiras são raras e é preciso celebrá-las.

É difícil acreditar que nunca mais o verei. Até saber que ele estava na lista, a tragédia para mim era distante, televisiva. Mas, por volta das nove horas, soube que Paulo Julio, tão próximo, tão parecido comigo, estava naquele avião.

A morte de alguém próximo choca demais. Nos dá a terrível noção de que amanhã nós mesmos podemos não estar mais aqui e que isso é tão natural quanto essa força vital fascinante que experimentamos todas as manhãs.

Quando penso nas fotos dele com o filho Theo, na declaração de amor que fez outro dia para a esposa Flávia, tudo perde a graça, nada faz o menor sentido. Espero que os dois tenham força e luz para seguir em frente.

E que um dia eu possa reencontrar o meu grande amigo Paulo Julio Clement.

Hoje, da forma mais triste, eu descobri o porquê daquelas caipirinhas.







domingo, 27 de novembro de 2016

Primavera vermelha

Era uma vez a primavera vermelha. Alegria, respeito, democracia, pluralidade, comida no prato, casa, luz pra quem sempre foi escravo. O povo feliz disse sim quatro vezes para a estação das flores.

Aí, os barões tentaram acabar com a primavera. A pretexto de arrancar algumas flores mortas, transformaram todo o vale fértil numa floresta de ervas daninhas.  Puro egoísmo. De nada valem seus carrões blindados se não há um menino miserável fazendo malabarismo no sinal.  


Mas o dinheiro não consegue mudar a natureza. Nem com a ajuda dos que se mantiveram indiferentes à grande festa de cores e de fertilidade.

E um dia a primavera volta. 


Rindo das pernas curtas da mentira.

Foto: Marcelo Migliaccio

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Dias melhores virão

Com o governo Temer já caindo de podre, dizem que os tucanos vão assumir, referendados pelo nosso maravilhoso colegiado de deputados e senadores.

Aécio e companhia, porém, assumirão sem moral, sem terem vencido eleição direta, pela janela, no tapetão.


Como o Fluminense quando subiu direto da terceira para a primeira divisão.


No outro braço do golpe, Moro está fulo da vida porque oito delatores inocentaram Lula.


E no terceiro pilar, os papagaios dos donos da mídia já não sabem mais o que falar para convencer o Hommer Simpson, desempregado, de que as coisas vão melhorar com a camarilha golpista.


O jogo está virando, devagar mas está.


Dias melhores virão, até porque piores será impossível.

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Banquete em Piabetá




Neste filme de pouco mais de 11 minutos, Tia Cléia ensina os segredos do preparo de iguarias suínas como bucho, bofe, fígado, tripa, torresmo e chouriço, atrações de todos os domingos na sua barraca na Feira de Piabetá, na Baixada Fluminense.

E saiba mais sobre a incrível Feira de Piabetá e suas delícias em:
Figado, tripa, bucho, bofe e chouriço

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

A celebridade fascista

Era um lindo dia de feriado em Copacabana. Data da proclamação da República, boa para celebrar a democracia. A orla cheia de famílias convidava à boa convivência. Mas eu tive medo quando vi um carro de som em cima do qual uma mulher que se dizia "professora civil do Colégio Militar" pregava contra a orientação sexual nas escolas.

Em meio aos manifestantes, uma figura bastante conhecida se destacava e era tratada como celebridade. Em volta dele, os fascistas pareciam mais encorajados a exibir publicamente sua intolerância. O líder dizia que a cartilha de orientação sexual nas escolas é pretexto para pedofilia. Destilando seu ódio pedia a prisão de Lula em Bangu 1. 

_ Ele não tem que ir para Curitiba nem para a Papuda. Como ele sempre se gabou de não ter curso superior, tem que ficar junto com a galera em Bangu, porque lá é muito confortável.

Era chamado de "mito" por seus seguidores e saudado como "presidente". Ficou claro que se candidatará em 2018. Apesar da adulação, não era uma manifestação festiva, o ódio estava no ar, os sorrisos eram de esgar, com dentes trincados, veneno escorrendo no canto das bocas. Jovens brucutus tatuados se misturavam a aposentados que tiraram o pijama para curtir aquela micareta da segregação. Todos cheios de razão. A eleição de Donald Trump nos Estados Unidos lhes deu ainda mais moral.

Para o "mito", a "ideologia de gênero" nas escolas tem um objetivo camuflado:

_ Eles querem é legalizar a pedofilia e usam as minorias para isso. Querem esculhambar a família _ dizia ele pna Avenida Atlântica, para quem quisesse ouvir.

Do alto do carro de som, a professora do Colégio Militar anunciava a presença de pais de alunos do Colégio Pedro II que não aceitam as medidas adotadas pela direção.

_ Pergunta para um idiota desses meninos que vestem saia se ele sabe quanto é 6 vezes 7. Não sabem nada, vão viver nas tetas do governo no futuro.

Sem disfarçar sua alegria ao ver tantos fascistas com coragem para sair dos armários, o líder se empolgava: chamava os estudantes que ocupam escolas de idiotas que "nem sabem quanto é 7 vezes 8" e dizia que eles vão viver dos programas assistencialistas da esquerda no futuro. Até PMs fardados se aglomeravam em torno dele para pedir selfies.

Só uma pergunta ficou sem resposta: caso acabe eleito na onda de intolerância que varre o planeta, será este o seu ministro da Defesa?


Foto: Marcelo Migliaccio

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Cortaram as asas de Eros


Foto: Marcelo Migliaccio

Quando alguém lhe disser que a maré aqui no Rio não está para peixe, acredite. Depois de o governo do Estado cortar tudo, merenda, material hospitalar, salário de servidor etc, chegou a vez do Deus do Amor sentir na pele o tamanho da crise. Isso mesmo: cortaram as asas da estátua de Eros, que fica na entrada do Túnel Novo, entre Botafogo e Copacabana. Sei que não foi o Pezão que subiu lá e destruiu o poder alado da divindade grega a chutes, mas na certa foi algum revoltado com a situação geral.

É verdade que Eros já esteve bem pior, como, por exemplo, na época em que perdeu a cabeça. Dizem que foi por causa de uma moça que passou de bicicleta pela ciclovia ali ao lado mas acho que foi coisa de vândalos mesmo, porque, além da cachola, levaram também os dois braços. Fico imaginando como é que o cara se virava naquela situação. Em crise de identidade, chegou a achar que era a Vênus de Milo.


Foto: Marcelo Migliaccio


Mesmo depredado e pichado, porém, ele continuou fazendo extravagâncias com seu harém. Era festa direto, com as mulheres literalmente subindo pelas paredes e jogadas aos seus pés.


Foto: Marcelo Migliaccio


Depois, arranjaram uma cabeça pra ele que não era a dele. Foi aí que Eros quase pirou. Bem ao estilo carioca, fizeram-lhe uma gambiarra. Ficou péssimo, até porque o dono da antiga cabeça não tinha nem 10% do poder de sedução do verdadeiro Deus do Amor.


Foto: Marcelo Migliaccio


Mas ele é safo. Nem amputado e com cara de panaca, parou de praticar esportes. E a para-olimpíada que não viu isso! O cara seria medalha de ouro na vela.


Foto: Marcelo Migliaccio


Aí, uma generosa alma resolveu pesquisar e conseguiu reproduzir a verdadeira cabeça da estátua. O penteado não era lá grandes coisas, na época de Platão talvez fosse um corte moderninho...


Foto: Marcelo Migliaccio


Deram-lhe até um outro par de asas. Lindas. E o recauchutado garanhão voltou a encantar a mulherada como fazia desde o tempo em que morava na Grécia. No Carnaval, então, ele arrasava.


Foto: Marcelo Migliaccio


Pena que não durou muito. Primeiro, foi-se a nova asa esquerda.


Foto: Marcelo Migliaccio


Agora, também a direita.


Foto: Marcelo Migliaccio


Se cortarem mais coisa, temo que o Deus do Amor seja rebaixado a eunuco.


Foto: Marcelo Migliaccio



Leia também:
Até o Deus do Amor fez plástica
Tudo como antes
O dia em que Eros perdeu a cabeça

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Alô, o demônio está?

Por força da minha profissão, habituei-me a ler, ver e ouvir um pouco de tudo (na verdade eu já era assim antes de me tornar jornalista profissional). Essa obsessão inclui de anúncios impressos de cartomantes a programas de TV que ninguém assiste. Devo ser um dos últimos na minha idade a ainda ouvir rádio AM, onde as minhas atrações preferidas são as chamadas "programações" evangélicas. Não existe remédio melhor para insônia, garanto. Conheço a fundo as técnicas de oratória dos principais mensageiros do Senhor. Waldomiro, RR Soares, Edir Macedo, o cara da pentecostal Deus é Amor, que odeia o Lula, o indefectível Paiva Neto... enfim, há pregações para todos os gostos e bolsos, o que muda são as técnicas de cada um para vender o reino dos céus.

Ocorre que ontem me deparei com algo que nunca tinha ouvido: um exorcismo por telefone!

Já peguei a coisa pelo meio. De um lado da linha, um pastor da principal igreja evangélica do Brasil; do outro, uma voz feminina um tanto afetada, meio rouca, aquela voz de diabo de filme de terror. Num papo franco com o capeta, o pastor tentava listar todos os males que a tal entidade já havia feito na vida da pobre mulher que a hospedava.

- Quantos namorados você já tirou dela?

- Dez - balbuciou o coisa ruim.

- Você gosta quando ela vai ao culto? - provocou o religioso.

- Detesto, detesto a igreja! - respondeu o bicho com a respiração aos trancos.

- Pois, agora, eu ordeno em nome de Jesus que você saia da vida dela. Agora! SAAAAAAIIIIIIII!!!!!

Fez-se um breve silêncio no meu rádio até que o pastor resolveu aferir se o exorcismo havia sido um sucesso.

- Alô. Oi, amiga.

- Alô, pastor - disse a mesma voz feminina, agora inundada de leveza e mansidão.

- Está tudo bem?

- Está sim, pastor, estou me sentindo bem melhor.

- Então a senhora venha aqui à igreja que eu quero conversar pessoalmente, ok?

- Vou sim, pastor.

Sim, eu custei a acreditar que a Universal promove exorcismos até por telefone. Inconformado por não ter acompanhado aquilo desde o início, fiquei imaginando como teria começado a ligação. Será que o pastor telefonou para a casa da moça e o demo atendeu? Ou foi o próprio coisa ruim quem teve a ideia de ligar para a rádio a fim de dizer umas verdades ao pregador? Pode ter sido a moça, agoniada com a própria situação, a tomar a iniciativa... vai saber.

Aí lembrei que o novo prefeito da minha cidade pertence a essa mesma "denominação". Será que ele também, antes de licenciar-se do cargo de "bispo", realizava exorcismos via telefone? Logo ele, que declarou recentemente costumar receber telefonemas do maioral da igreja católica no Rio, ele mesmo, o cardeal, durante as madrugadas...


Foto: Marcelo Migliaccio




terça-feira, 1 de novembro de 2016

Freixo só ganhou em reduto de golpistas



É curioso que Freixo tenha derrotado Crivella somente nas áreas que preferiram majoritariamente Aécio, Serra e cia. nas últimas eleições presidenciais. Além dos jovens esquerdistas filhos da elite carioca e de uma minoria mais politizada, ali estão os coxinhas historicamente teleguiados pela Globo e pela Veja (lembra dos panacas de verde e amarelo na orla de Copacabana e Ipanema pedindo golpe.) É, aquela mesma turma que odiava Brizola, Darcy e os Cieps...

Não deixa de ser preocupante para a esquerda, sem dúvida, que Freixo só tenha vencido nesse inegável reduto da direita. Mas ainda mais desastroso para a Globo e a Veja, que viram o poder de convencimento de sua campanha anti-Universal ter efeito zero nas outras áreas da cidade.

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Duas histórias do capitão do tri

Quando era treinador, Carlos Alberto Torres foi questionado por um repórter sobre as críticas que o também ex-jogador Dé lhe havia feito (não me lembro quais e nem importa).

Irônico, o capitão do tri respondeu.

- Rapaz, você sabe que na semana passada eu estive num evento da FIFA em Zurique que reuniu todos os capitães das seleções que conquistaram Copas do Mundo. Estavam lá o Beckenbauer, o Bobby Moore, o Maradona... mas todo mundo só falava no Dé.



*** 


Outra história boa com o capitão do tri me foi contada por um jornalista. Carlos Alberto Torres treinava o Fluminense e o tal repórter era quem cobria o clube para o Jornal do Brasil. O Flu andava numa fase péssima, não ganhava de ninguém e toda a imprensa dava como certa a demissão do "capita" no caso de nova derrota.

O jogo seguinte foi contra um time pequeno e, a duras penas, o Flu venceu no com um gol no finalzinho. Ao avistar o repórter no vestiário, Carlos Alberto partiu pra cima dele. Também chegado a um samba, o jornalista começou a gingar enquanto esperava a providencial intervenção da turma do deixa disso.



Felizmente, em meio a gritos gerais de "calma, capita!", o treinador irado foi contido.

Depois, com ambos mostrando que não guardavam rancor, ficaram em paz novamente.




Veja o próprio repórter, Alvaro Costa e Silva, contando seu entrevero com Carlos Alberto Torres:

Capitão x Marechal

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Crivella perdeu a linha

Desta vez, Freixo não deixou a oportunidade passar. Foi incisivo desde sua primeira intervenção no debate de ontem na Rede TV!, ao contrário do encontro na Bandeirantes, quando ficou na esfera propositiva exatamente como queria seu adversário, Marcelo Crivella, que tem o dobro das intenções de voto nas pesquisas.

Enfim parecendo disposto a virar o jogo, Freixo questionou o racismo e a intolerância religiosa expressados por Crivella em livro, o apoio que ele recebeu da filha de um miliciano, a aliança com o partido de Garotinho e com Rodrigo Bethlem, o único corrupto brasileiro que confessou seus crimes de viva voz (e continua impune). Pra fechar a sessão de golpes certeiros, lembrou que o bispo da Universal que chutou a imagem da padroeira do Brasil diante das câmeras foi sócio de seu adversário.

Crivella perdeu as estribeiras. Sua fala mansa deu lugar a adjetivos camuflados atrás de um artifício típico dos dissimulados: "Não vou chamar você, Freixo, de safado, canalha e vagabundo". Fazer com que o bispo licenciado da Universal tirasse a máscara de bom moço foi a maior vitória do candidato do Psol no debate.

Crivella também atacou Freixo, procurando vinculá-lo aos black blocs, a manifestantes que queimaram a bandeira de Israel e disse até que uma ONG ligada a seu adversário sumiu com 70% do dinheiro arrecadado para ajudar a família do pedreiro Amarildo, morto por PMs na Rocinha. O candidato do Psol foi didático e calmo ao desmontar todos os ataques.

A verdade é que Freixo ontem ganhou de goleada. Está difícil reverter a vantagem do senador do PRB nas pesquisas mas pelo menos desta vez ele mostrou disposição para o enfrentamento. A sova que levou foi tão acachapante que é de se perguntar se Crivella vai mesmo ao debate do dia 28, na Globo.


Foto: Marcelo Migliaccio

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Assim fica fácil

Freixo está jogando pra perder ou é impressão minha? Parece que está com o freio de mão puxado, correndo pra não chegar, tirando o pé da dividida, como se diz no futebol. O que incomoda é ele não parecer se importar muito com a derrota. Será que não é interessante para o Psol chegar ao poder e perder a aura de puritanismo que tanto encanta universitários da Zona Sul?

Até agora, Freixo faz uma bela campanha para se eleger senador na próxima eleição.

Além da apatia, outro erro de Freixo é o discurso. O eleitor não quer ouvir que o novo prefeito vai "discutir com a população" que medidas tomar. Quer um candidato que diga o que vai fazer e depois, aí sim, manter canais de discussão com a população para saber se houve erros e corrigí-los.


Crivella, confrontado com os votos de seu partido na criminosa PEC 241, criticou seu adversário por manter uma agenda nacional na campanha. Pois é isso mesmo que tem que ser feito, e com ênfase, com indignação. A cidade vai sofrer com os efeitos do golpe, isso tem que ser mostrado, com números, na saúde, na educação etc.



E por que o pudor em desnudar a Universal?

É difícil entender as escolhas do Psol, um partido que se recusa a apoiar os candidatos do PT e do PC do B em Recife e em Aracaju embora eles enfrentem candidatos do PSB, que se transformou em mais uma trincheira da direita.

Foto: Marcelo Migliaccio


segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Direita volver!

Como votarão no segundo turno os eleitores de Pedro Paulo, Indio e Osório? Freixo vai precisar de todos eles para tirar a diferença da dobradinha Crivella-Bolsofilho (1 milhão e 300 mil votos). Até agora, numa previsão otimista, Freixo tem os 101 mil dados a Jandira e os 42 mil de Molon. Juntando com seus 553 mil... falta muito.

É bom lembrar que 1 milhão e 800 mil cariocas, votaram em branco, anularam ou nem saíram de casa.


Será que aquele vídeo do bispo Macedo contando dólares no chão e mostrando a língua para a câmera vai resolver a parada desta vez? Espero estar enganado mas não vejo grandes chances de o Freixo vencer esta eleição. A onda direitista é nacional e deve pegar também o Psol. Investir em quem não votou no primeiro turno (42%) seria um bom caminho se essa turma não fosse, por natureza, refratária a ideologias, ainda mais as de esquerda. A lavagem cerebral fascista feita pela mídia privada foi tristemente eficiente.

Pela expressiva votação recebida pelos candidatos de direita no Rio, Freixo precisaria de muita ajuda da Globo para derrotar Crivella. E, mesmo sendo ele representante de uma empresa concorrente, sabemos como é difícil para qualquer capitalista apoiar um socialista.

Sem ressentimentos, vamos tentar colocar o PSOL no poder pra ver quantos dias dura o purismo deles. O partido fez seis entre os 51 vereadores do Rio. Estou ansioso para ver Freixo, se eleito, conseguir maioria para aprovar seus projetos. Quero ver sua aliança programática com Cesar Maia, Carlos Bolsonaro, Jorge Felippe, Jairinho, Bispo Inaldo Silva, Carlos Caiado, Rosa Fernandes, Chiquinho Brazão...

Aí ele vai ver como a banda toca.

Carlos Bolsonaro foi o vereador mais votado no Rio. Comemorar a saída do PMDB da prefeitura do Rio é como vibrar com o gol do Brasil naqueles 7 a 1 da Alemanha. Seu irmão, também ultra-direitista, teve 15% dos votos para prefeito. Numa cidade como o Rio é mais do que preocupante.

A divisão da esquerda não é o problema. O problema é que quase 70% do eleitorado votou nos candidatos de direita.

Resumir numa frase o que disse a "voz das urnas"? Heil, Hitler!

Em Curitiba, capital do golpe, o candidato que disse vomitar com cheiro de pobre foi o mais votado. E a eleição de João Dória Jr. em São Paulo fala por si. Para os cariocas que não o conhecem, é como se Leleco Barbosa fosse eleito prefeito do Rio.

Parodiando H.L. Mencken, hoje no Brasil a democracia é a arte de administrar o circo a partir da jaula dos gorilas.

Mas ninguém deve se desesperar. Tudo é cíclico. Agora a direita entra, faz um monte de merda e depois a esquerda volta pra fazer outro monte. Cabe a nós apenas sobreviver a eles.



Foto: Marcelo Migliaccio




quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Top ten

As dez mais da eleição municipal do Rio:
- O penteado do Crivella.
- A expressão condoída do Pedro Paulo.
- O candidato a vereador chamado Doidão Natural.
- A vinheta "chame Molon", a pior desde a eleição de Afonso Pena.
- As olheiras do Indio da Costa.
- O despreparo do Bolsonarinho.
- Lula em Bangu.
- Dilma na Cinelândia.
- A arrancada do Freixo.
- "A candidata do PCO, Thelma Bastos, não divulgou agenda."

Foto: Marcelo Migliaccio

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

A virada paralímpica

Neste momento em que o Brasil engatou a marcha à ré de volta ao obscurantismo e à segregação, a Paralimpíada foi um bálsamo. Até então, nós, brasileiros, nunca tínhamos visto tão de perto essas competições que mostram o quanto é forte (e frágil ao mesmo tempo) o ser humano. Quando os jogos eram realizados em outros países, os noticiários paralímpicos eram sempre diminutos, com imagens curtas em comparação ao que recebíamos da badalada Olimpíada.

Desta vez foi diferente. Pra muitos foi difícil assistir no início mas quando a gente vê que são exatamente como nós, pronto. Foi tudo de perto e em detalhes. Isso certamente vai mudar muito as relações sociais dos portadores de necessidades especiais. Esses atletas formidáveis nos mostraram que não cabe o olhar piedoso pois são fortes o bastante para perseguir e alcançar objetivos que o estereótipo não previa. Imagino o bem que os novos ídolos do esporte fizeram às crianças especiais e mesmo as que gozam de plena saúde.

É uma pena que as redes de TV aberta ainda não tiveram coragem para dar às competições paralímpicas a cobertura ampla que elas mereciam. Foram disputas emocionantes que, no entanto, esbarraram no preconceito daqueles que têm a pretensão de advinhar o que o público quer ver na televisão. As arenas cheias, no entanto, provam que a Paralimpíada foi sim um espetáculo muito atraente.

A interação dos atletas com seus treinadores e auxiliares é um exemplo de convivência que todos nós deveríamos seguir em vez de condenar os especiais a viverem num mundo à parte. Vamos deixar que eles só não existam nas novelas.

Ver cegos fazendo gols de placa, cadeirantes caindo e levantando, fazendo cestas lindas, amputados dando saltos improváveis em distância e altura, nadadores velocíssimos batendo recordes mudará para sempre a relação e o olhar da sociedade sobre os diferentes. O meu pelo menos nunca mais será o mesmo. E quantas crianças terão agora estímulo para vencer suas limitações físicas ou motoras e descobrir um novo sentido para a vida.

Uma das imagens que mais me impressionaram foi a daquele atleta sem os dois braços que segura a raquete de tênis de mesa com a boca. Como joga o danado. E o charme da dançarina que não tem as pernas?

Se a TV aberta desviou o olhar dessas pessoas por puro preconceito, muitos de nós jamais farão isso novamente ao cruzar com um deles nas ruas. Não há mais espaço para piedade e auto-comiseração. Esmola nunca mais.


Foto: Marcelo Migliaccio


quinta-feira, 15 de setembro de 2016

É pra chorar, não pra rir

Agora que já esgotamos nosso estoque de piadas sobre o episódio surrealista protagonizado pelos promotores da Operação Livra Rato, devemos começar a nos preocupar. Ao iniciarem sua explanação reconhecendo que não podem provar nenhuma das acusações que fazem ao ex-presidente Lula, eles deixaram claro  mais uma vez que vivemos num estado de exceção, uma ditadura do Poder Judiciário.

O canhestro esquema de power point que nos fez rir inicialmente é mais um tapa que os togados dão no rosto da sociedade. Como uma peça de acusação tão insustentável pode ganhar as manchetes dos jornais e servir de munição aos histéricos que insistem em demonizar aquele que foi o presidente mais popular da História do Brasil? Onde estão as contas de Lula no exterior (as de Cunha todos sabemos)? Quem são seus laranjas? Cadê as gravações comprometedoras, os e-mails indecentes? Nada. Os homens da lei vasculharam, vasculharam e só têm fofocas e achismos a nos apresentar.

E o Brasil parou para assistir nas redes de TV uma enxurrada de pseudo-denúncias calcadas em fofoca de portaria. O porteiro disse que o triplex é do "homem". O garagista confirmou que ouviu falar. O jornalista entrou na fofoca e garantiu uma manchete.

Pobre Brasil...

Em nenhum país do mundo uma acusação sem provas se sustenta, a menos que trate-se de um estado totalitário. O ônus da prova sempre coube a quem acusa mas no Brasil o acusado é que tem que se virar para provar que é inocente. E, desta vez, nem com o ônus da prova o acusador quis arcar. Bastou-lhe dizer que tem convicção de que Lula agiu ilicitamente. Servirá a "convicção" de um promotor pernóstico para colocar um ex-presidente da República na cadeia ou tirá-lo do próximo processo eleitoral? No Brasil de hoje, depois de tudo que vem acontecendo, depois das pedaladas inventadas, depois do Gilmar, do Moro, do Batman, do Alexandre Frota, do Reinaldo Merval de Azevedo, do Kim Katacoquinho, do Temer, do Bolsonaro e do Bolsonarinho, não se pode duvidar mais de nenhum absurdo.


Foto: Marcelo Migliaccio



quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Mais um capítulo do fim do futebol

Mais um clube tradicional sucumbe à divisão do futebol brasileiro em castas implantada pela televisão com apoio da cartolagem subserviente. Agora é a Portuguesa, que mergulha no limbo da série D, de onde é quase impossível sair.


O time campeão paulista de 1973



Como América, Guarani, Bangu e tantos outros pelo Norte e Nordeste, a Lusa foi assassinada pela detentora dos direitos de transmissão dos jogos, que implantou no futebol a mesma filosofia que parece apoiar para o país: mais dinheiro para quem já tem e os outros que se danem.

Seria muito mais racional tirar um pouco do que cada grande clube da série A recebe anualmente (o Flamengo leva R$ 180 milhões em 2016) e ajudar clubes de tradição que hoje apenas alugam seus uniformes para empresários de jogadores interessados em exibir seus contratados.

Garanto que se o presidente do Corinthians for inteligente não se importará em receber R$ 5 milhões a menor por ano se esse dinheiro servir para manter viva a Portuguesa de Desportos. Seriam mais dois clássicos garantidos todos os anos. O futebol só sobrevive como paixão se houver competitividade. Ninguém vai para o estádio se tiver certeza de que seu time vencerá o jogo. O futebol vive de camisas fortes, muitas camisas fortes e não apenas uma casta de 20 clubes milionários.

E o Flamengo, não aceitaria receber R$ 175 milhões para garantir a sobrevivência do America, com quem já disputou clássicos memoráveis e que hoje nem na série D está? Com R$ 5 milhões anuais o clube sete vezes campeão do Rio faria a manutenção de sua estrutura para continuar formando jogadores nas divisões de base. Seria muito mais lógico se a lógica do futebol não tivesse passado a ser a do mercado consumidor. Só os clubes de massa interessam.

Vão argumentar que o Santa Cruz saiu da série D e chegou agora na série A. Pois ele já é o penúltimo colocado e deve cair para a segunda divisão. Subiu porque sempre sobem quatro, o problema é que esses quatro, ou três deles caem já no ano seguinte. Poucos se mantêm na primeirona por mais de dois anos.

Nessas horas, dá saudade do ex-presidente do Fluminense Francisco Horta, que sempre reforçava os rivais em nome dos grandes espetáculos.

Foto: Marcelo Migliaccio


Assista ao documentário Paixão Rubra, sobre a decadência de outro grande do futebol brasileiro.

E veja também O Outro Lado da Bola, que mostra a realidade longe  do glamour dos grandes craques e dos milhões da televisão.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Acabou-se o que era doce

Animem-se!

Hoje é o primeiro dia do arresto de nossas vidas.

O Jornal Nacional, subitamente, transformou-se numa bomba de otimismo, programada para explodir na cabeça de milhões de Homer Simpsons que vestem verde e amarelo, as cores do golpe institucional de 2016.

Quero pedir uma salva de palmas para os omissos, os esclarecidos que não enxergam um palmo à frente do nariz, intelectualóides de orelha de livro, puristas de extrema-esquerda sem voto, metidos a besta em geral, pseudo-pós-tudo, iconoclástas que batem cartão de ponto, rebeldes bajuladores de chefe, europeus que nasceram no Brasil por acidente. Enfim, palmas para todos que não foram para as ruas de verde e amarelo como os retardados mas que contribuíram até mais para que a democracia fosse solapada. Palmas para Marina Silva, Luciana Genro...
Aplausos para todos aqueles que, mesmo percebendo a trama, engrossaram o coro da demonização do PT.
 
Meu único consolo é que eles vão dividir conosco o pão que o diabo amassou.

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Pensamento do dia (do impeachment)

Um povo só deixa de ser vira-lata quando, de tanto apanhar, aprende a ir para a rua exigir seus direitos.

Enquanto ficar em casa assistindo TV e abanando o rabo, não terá um país decente para viver.

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Por dentro do biscoito Globo


Foto: Marcelo Migliaccio

São 4h50 da madrugada na escura Rua do Senado, na Lapa. Até os mais renitentes boêmios já entregaram os pontos. Não se vê viva alma, a não ser em frente ao sobrado número 273, onde cerca de 50 pessoas aguardam a abertura da fábrica do tradicional biscoito de polvilho Globo.

Foto: Marcelo Migliaccio
A fila de compradores começa bem antes de o sol nascer

Daqui a algumas horas, o sol estará brilhando na orla, mas a praia do carioca nasce ali, na escura Rua do Senado.

O primeiro da fila chegou às 2h. Fausto Ferreira da Silva, 80 anos, compra biscoitos para vender na Praia do Leblon há oito, desde que deixou o emprego de cozinheiro num restaurante do Centro.


Foto: Marcelo Migliaccio
Fausto Ferreira, o primeiro da fila
_ O produto é bom! Esse biscoito é dinheiro em caixa. Criança de um ano já aponta o dedinho quando a gente passa _ diz o vendedor, que paga R$ 25 por um saco de 50 unidades.

Pontualmente às 5h, um senhor franzino, de fala mansa mas articulada e segura, chega para abrir a fábrica. Milton Ponce segue essa rotina desde 1962, quando decidiu ampliar a produção da padaria Globo, em Botafogo.


Foto: Marcelo Migliaccio
Milton Ponce: o dono é paulista
Paulista, ele chegara ao Rio em 1954, trazendo de uma panificação antiga do bairro do Ipiranga a fórmula que junta polvilho, ovos, leite, açúcar, sal, gordura hidrogenada e água.

_ Muita gente pergunta por que não aumento a produção. Quase todos os dias, recebo propostas de franquia, mas isso aqui é como um bolo que você faz na sua casa.


Embora a fórmula de preparo seja simples, êxito comercial não é. Um sobrinho de Milton tentou fabricar um concorrente, batizado de Extra, mas o gosto nem se compara.
Foto: Marcelo Migliaccio
A fórmula não é mantida em segredo, mas deve haver um segredo

Milton diz que o segredo do sucesso são seus funcionários _ 18 no turno da manhã e quatro à tarde _ que chegam a produzir diariamente 15 mil saquinhos com dez rosquinhas cada durante o verão.


Foto: Marcelo Migliaccio
Além das praias, o biscoito também é vendido em padarias, com outra embalagem



_ Tenho funcionários comigo a 42, 38, 35 anos. Aquele está aqui desde os 11 _ conta, enquanto aponta para o forneiro Ednaldo Valdevino do Nascimento, 36.

Levado à fábrica por dois tios, ele acorda todos os dias às 3h20 para trabalhar.

_ A carcaça já calejou com esse horário.

Mas quem mete mesmo a mão na massa é Jailton da Silva Cardoso, que exercita os músculos e a sensibilidade dos dedos para achar o ponto certo. Como não pode usar luvas, sua maior preocupação é com a higiene.

Foto: Marcelo Migliaccio
Jaílton é quem mete a mão na massa. Com batedeira, não dá certo

_ Se colocar numa batedeira a massa queima porque não leva fermento _ explica. Já tentei usar luvas, mas elas impedem que eu saiba o ponto exato.

Milton brinca com a fidelidade dos funcionários.

_ Tem uma senhora aqui que, se eu demitir, dá um jeito de entrar pelo telhado. A maioria das empresas erra quando troca os empregados que ganham mais. Eu valorizo essa equipe.

Foto: Marcelo Migliaccio
O segredo da fábrica é valorizar os funcionários antigos

Seu calcanhar de aquiles é o empacotamento nos saquinhos de papel vendidos nas praias os únicos que resistem à ação do sol.


Foto: Marcelo Migliaccio


_ Já procuramos na Itália e na Alemanha, mas não existem máquinas para esse trabalho.

Ver empacotadores como William da Silva Torres atuando é um espetáculo. Numa velocidade tão grande que suas mãos desaparecem, ele enche um saco em menos de cinco segundos.



Foto: Marcelo MIgliaccio
William enche um saco com dez
em menos de cinco segundos

Apesar de não ser carioca, Milton já incorporou o espírito gozador e não liga para os apelidos de biscoito de vento ou me engana que eu gosto :

_ Devemos muito do nosso sucesso a essa irreverência.

Foto: Marcelo Migliaccio
Milton tem muitas propostas para abrir franquias, mas sempre recusa



* Matéria publicada no Jornal do Brasil em 2009



terça-feira, 16 de agosto de 2016

Cavalos dançantes

O trem no ramal de Santa Cruz, que leva às instalações olímpicas, era dos novos, claro, daqueles pra inglês andar. Mas a paisagem lá fora não deixava ninguém esquecer: estamos no Brasil. 

Foto: Marcelo Migliaccio

Um Brasil olímpico, capital mundial do esporte por dois meses. E do golpe de estado e da roubalheira no resto do ano.

Foto: Marcelo Migliaccio

Dentro do centro de hipismo de Deodoro, o clima era de festa, aquela festa americanizada, vá lá, uma festa.

Foto: Marcelo Migliaccio

Cavaleiros começam a surgir na arena, com seus animais adestrados. Nas apresentações, rolam aquelas músicas que se ouve em sala de espera de consultório dentário. É ao som delas que os conjuntos começam a evoluir.

Foto: Marcelo Migliaccio

Na arquibancada, o sol de inverno carioca castigava quem se aventurou nesse esporte tão estranho por aqui.

Foto: Marcelo Migliaccio

Não sei como o calor não derreteu a maquiagem da Força Nacional...

Foto: Marcelo Migliaccio

E, por incrível que pareça, os gringos não estavam nem aí para a quentura, queriam torcer pelos seus cavaleiros.

Foto: Marcelo Migliaccio

"Bandeiras, bandeirolas, bandeirantes", diria aquele antigo narrador esportivo.

Foto: Marcelo Migliaccio

Mas a grande atração do dia era o único animal irracional com direito a participar da maior festa esportiva promovida pelo ser humano.

Foto: Marcelo Migliaccio

Todas as atenções estavam voltadas para os imponentes cavalos de raça. Com justiça, aliás. Vá ser bonito assim lá no estábulo! Mas é de se pensar em como eles aprendem aqueles passos. Dizem que vivem só para isso. Mas será que é uma violência contra eles.  É bom lembrar que em muitos lugares são proibidos animais nos circos e em programas de auditório. Ontem, por exemplo, aqueles puro-sangue nem sabiam que valia medalha de ouro...

Foto: Marcelo Migliaccio

Concentração total da amazona, um olho no cavalo, outro no... tapa olho. O que será que houve com ela?

Foto: Marcelo Migliaccio

Tinha até torcedor paramentado para enaltecer os astros da festa.

Foto: Marcelo Migliaccio

Só não gostei que as medalhas fossem só para os cavaleiros. Para os belos da tarde, só feno e água fresca. Muito pouco para quem chega a valer inacreditáveis US$ 48 milhões.

Foto: Marcelo Migliaccio

Não era um público de final de Copa do Mundo, mas deu pra curtir enquanto resisti ao sol. Embora isso não signifique rigorosamente nada: Olimpíada 2016, eu fui.

Foto: Marcelo Migliaccio