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quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Desagravo a 2015

Repilo e deploro qualquer tentativa de desqualificar 2015. Eu só não diria que foi um grande ano porque terá 365 dias como todos os outros. Mas foi o ano em que a democracia brasileira resistiu a várias tentativas de golpe comandadas por um conluio entre picaretas notórios, analfabetos políticos e fascistas, estes últimos recém-saídos do armário em que se esconderam desde o vexame de Fernando Collor de Mello na Presidência.

Não, o Estado Islâmico e seu terror não nasceram em 2015. A essa turma que tornou a praia um inferno com seus arrastões não foi negada educação só neste ano. As barreiras de Mariana não foram negligenciadas e mal fiscalizadas apenas no momento em que se romperam. Nossos maiores corruptos, de longas carreiras políticas, já estão por aí há décadas.

Como sempre acontecerá, morreu gente legal (e também uma infinidade de pilantras). Mas também nasceu gente boa e outra infinidade de futuros energúmenos.

Foi um ano como outro qualquer, só que a nossa decadência como sociedade fica cada dia mais flagrante, a exclusão vem ganhando há tempos a queda de braço contra os programas sociais dos governos. Os recursos naturais estão se esgotando dia após dia (e continuamos fazendo apologia ao sexo na mídia, um programa de controle de natalidade às avessas).

De mais a mais, a seleção brasileira não levou de sete de ninguém neste ano. E, pelo menos, começaram, ainda que timidamente, a questionar o poder da detentora dos direitos de transmissão sobre o futebol brasileiro.

Salve 2015, afinal, ainda estamos aqui pra contar a história.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Corações a mil

O coração do banqueiro bate no bolso
o do malandro, na sola do pé
e o do trabalhador bate ponto todo dia

Um coração apaixonado bate mais forte,
coração de troglodita bate pra machucar
coração de corredor bate todos os recordes

Coração de mãe bate apertado,
O do moleque, mil vezes por minuto
mas o do ancião já bate em retirada...

O coração do teimoso bate e volta
o do motorista bate no poste,
o do pedinte bate na porta

O coração do fã bate palma,
o do artista bate cheio de si
e o do tímido bate que nem se ouve

Só um coração nunca bate:
o de quem tem medo da vida
Esse, coitado, só apanha


Foto: Marcelo Migliaccio




quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Glória, glória ao senhor

O fogo destruiu o museu em São Paulo, e o governador Alckmin, literalmente, queimou a língua. No Rio, a chama neofascista chamusca o artista, interpelado agressivamente por mauricinhos descerebrados numa rua do Leblon. O governador Pezão, blindado pela emissora antipetista assim como o prefeito, fecha hospitais, manda o servidor pedir empréstimo no banco, escolhe oficiais corruptos para a cúpula da polícia. Em Brasília, uma corja de parlamentares ora trama golpes, ora falcatruas com o dinheiro público.

Às vezes, tudo parece estar em ruínas, como o glamouroso hotel de luxo na Glória. No auge de sua megalomania, um bilionário resolveu tomar para si o imponente prédio. Prometeu uma grande reforma, um novo empreendimento para rivalizar com o Copacabana Palace, uma atração a mais durante a Copa do Mundo. Mas seu dinheiro fez água, sua fama também. De capa de revista, passou a motivo de piada. A obra parou no meio, e o Hotel Glória ficou abandonado.


Foto: Marcelo Migliaccio


A obra parou há meses. O mecenas sumiu de cena, não posa mais para as revistas na sala de estar, não acena orgulhoso na janela.


Foto: Marcelo Migliaccio


Os hóspedes já foram mais ilustres...



Foto: Marcelo Migliaccio


Na entrada, em vez de tapete vermelho, tapume pichado.



Foto: Marcelo Migliaccio

A placa de venda do vizinho lhe cairia bem.


Foto: Marcelo Migliaccio

O glamour hoje é uma foto amarelada


Cartão postal antigo

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

O pastel de vento mais caro da História

A propaganda do tal Museu do Amanhã é massificada na TV. A julgar pelo entusiasmo dos repórteres, em breve estará entre as sete maravilhas do mundo, desbancando talvez o Coliseu, que, como disse um ex-presidente do Corinthians, "é bonito mas tá precisando de uma boa reforma".

Um dia, se eu não tiver nada pior pra fazer, posso visitar o elefante branco da Praça Mauá. Pelo que vi nas reportagens, não há nada lá dentro que justifique encarar duas horas de sol na moleira numa fila infernal. Para entrar e ver o quê? Painéis luminosos dizendo que temos que preservar a natureza? Exortações à fraternidade mundial enquanto esperamos o próximo espancamento no canal Premiére Combate? Clamores por desenvolvimento sustentável na cidade dos hospitais fechados? Não, lamento informar que não estou curioso por ver instalações com pedaços de pano suspensos no ar por um jato de vento. Nem participar dos joguinhos interativos em que o visitante tem a chance de salvar o planeta se parar de jogar papel no chão. Se o objetivo é ensinar boas maneiras, deveriam internar lá os CEOs das multinacionais que esburacam a camada de ozônio e poluem rios, mares e o ar que respiramos.

Ah, tem também a história do planeta contada em oito minutos. Versão dos vencedores. Bancadas por grandes corporações, bancos e governos, iniciativas "do bem" como o Museu do Amanhã trazem a receita para salvar a Terra dada pelos que mais a esculhambam. Eis o grande conto do vigário: transferir para o cidadão a responsabilidade que é da engrenagem político-financeira vigente. O subtexto é façam o que eu digo, não o que eu faço.

Duvido que haja algo lá dentro que relacione explosão demográfica e a apologia ao sexo que se vê na mídia.

Esses brilhantes executivos, em geral, são visionários. Ciente de que seus pares aniquilaram nosso futuro com o empreendedorismo esquizofrênico e a proatividade doentia, um deles bolou esse museu, que, na verdade, é o atestado de óbito da Humanidade. Mostra didaticamente tudo que deveríamos ter feito enquanto ainda dava tempo. Disfarça a desfaçatez num clima permanente de falsa esperança, como se cada atração ali pudesse ser resumida num "boa noite" otimista do Jornal Nacional.

A construção metálica monstruosa parece resistente. Vai ficar em pé depois da hecatombe, quem sabe para que ETs a visitem sem pagar ingresso e vejam o mais completo painel da hipocrisia humana. Alguns dos maiores cientistas da Terra dizem que todas essas campanhas ecológicas para salvar o planeta não passam de jogadas de marketing. O importante no momento é evitar o pânico e varrer a desesperança para debaixo do tapete. A isso serve o Museu do Amanhã, a contradição em termos.

Cabe conjecturar sobre o que a época atual deixará para a posteridade. O que estará de fato nos museus do futuro, se houver. Computadores da Apple? Um pedaço de muro pichado? Cornetas de plástico? Vídeos de capítulos de novela? Que espécie de história estamos fazendo? Onde está nosso Lincoln, nosso Da Vinci, nosso Santos Dumont? Olho para os lados e vejo muito Eduardo Cunha, muito Mister Catra...

Numa cidade que tem 12 museus de verdade abandonados, essa jogada promocional soa como uma piada de mau gosto. Muita tecnologia estéril e uma repetição infindável de mensagens politicamente corretas enviadas pelas raposas que tomam conta do galinheiro. A montanha de lixo que o público deixou no chão após o primeiro fim de semana de visitação atesta o quanto tudo ali é pilantragem.

O Museu do Amanhã é o pastel de vento mais caro da História. 


Foto: Conexão Jornalismo


quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Todo jornal me diz que a gente já era

Ontem a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) declarou-se oficialmente a favor do impeachment. A pergunta é se alguém se surpreendeu com isso. Basta lembrar que, em 1989, quando o país se preparava para escolher pelo voto direto seu primeiro presidente depois de 21 anos de ditadura militar, o então presidente dessa entidade, Mario Amato, disse, em tom ameaçador, que se Lula vencesse "800 mil empresários" iriam embora do Brasil. A sinistrose surtiu efeito e o eleito foi Fernando Collor de Mello. Deu no que deu.

Só 12 anos depois, Lula chegou à Presidência. Nenhum empresário se mandou, ao contrário, ficaram aqui e continuaram faturando alto como sempre. Aliás, faturaram como nunca com 20 milhões de pessoas a mais no mercado consumidor. Mesmo assim, a Fiesp suas irmãs _ a Firjan, a CNI, a UDR, a Febraban, a Ambev... _ jamais engoliram o PT. Essas confrarias, donas das terras, dos bancos e dos meios de produção, desde 2002 tentam recolocar a chave do cofre nas mãos de um político amigo, um aliado, um pau mandado. Como nas urnas está difícil, conspiram. Aumentam preços sem precisar, desabastecem, demitem, tudo para que a situação pareça insustentável. Praguejam contra a corrupção embora sempre tenham financiado a eleição de corruptos.

A propaganda por seus canais repetidores diz que o Brasil vai de mal a pior.

E lembro de Raul Seixas...

"Todo jornal que eu leio 
me diz que a gente já era
que já não é mais primavera
oh baby, a gente ainda nem começou..." 

Fala-se muito da parcialidade da mídia, que alardeia aos quatro ventos qualquer ato ilícito cometido no Executivo ao mesmo tempo em que ignora cinicamente as maracutaias dos aliados. Nossa combativa imprensa fecha convenientemente os olhos para os corruptores, os que compram com seus milhões juízes, parlamentares e funcionários públicos.

É um engano, porém, demonizar a mídia, que não existe de fato. A TV que nos embota, embrutece e emburrece diariamente é apenas uma corneta, a corneta dos cartéis, a voz dos donos do mundo. Quem sustenta emissoras de TV, jornais e revistas com seus anúncios é o Itaú, a Volkswagen, a Votorantin, a Vale (que era nossa e, graças a Fernando Henrique Cardoso, agora também é deles)... a grande imprensa é só a caixa de som por onde a confraria dos monopólios faz ecoar sua voz.

Os jornalistas adestrados vivem dizendo que o Estado tem que diminuir, que a solução é privatizar tudo. Cá entre nós, você prefere trabalhar para o governo brasileiro ou para alguém?

Editorialistas de aluguel reproduzem o choro sistemático contra a carga tributária. Só que a cesta básica continuou subindo mesmo com todos os produtos isentos de impostos.

Que moral têm as entidades empresariais para criticar o governo se, apenas em 2013, segundo a Receita Federal, 15 mil empresas sonegaram mais de R$ 2 bilhões em impostos? Por falar nisso, por que a Operação Zelotes da Polícia Federal para prender sonegadores e fiscais corruptos nunca sai nos jornais?

O Brasil sempre foi um país de donos. Primeiro eram os índios, os donos da terra. Aí, chegaram os portugueses, donos das armas, dos escravos, dos espelhinhos. Viraram donos do ouro e da papelada que lhes garantia todo o resto. Seus filhos, netos, bisnetos e tataranetos estão aí até hoje, passando de mão em mão as terras e os meios de produção. Nós? Nós aqui olhando e trabalhando para eles para não morrer de fome ou de frio ao relento.

_ Sim senhor, patrão...

Olha, eu não sou comunista não, tá? Detesto ditaduras. Meu time é Lei Vale Para Todos Futebol Clube.

Que o empresariado, acumulador por natureza, queira derrubar o governo que mais distribuiu renda na História, a gente até entende. Mas que um bando de idiotas embarque nessa com eles achando que a corrupção vai acabar quando Dilma cair é difícil aceitar.


Foto: Marcelo Migliaccio

PS: Ressalvas honrosas para a entidades patronais Anfavea e a Abimaq, que se posicionaram contra o golpe do impeachment.

domingo, 13 de dezembro de 2015

Cunha acabou com o impeachment

Se eu fosse a favor do impeachment, estaria, como se diz aqui no Rio, puto "dendascalça". Eduardo Cunha conseguiu desmoralizar  totalmente a causa. A pretexto de conduzir o processo de afastamento da presidente Dilma, o insano bilhardário meteu os pés pelas mãos. Fez tanta armação na Câmara que o processo foi parar nas mãos do STF.

Autêntico parasita público-privado, Cunha desafia todos os limites da impunidade naquele que sempre foi conhecido como o país da dita cuja. Estapeia diariamente a Nação ao aparecer rindo, leve e solto diante das câmeras de TV. Com decisões arbitrárias nas votações e desculpas esfarrapadas para seus milhões no exterior, o presidente da Câmara tornou-se mais nocivo para a direita que o turbinou do que para a esquerda que sempre o temeu.

Até os jornalões agora pedem sua saída. Demorou mas concluíram que com esse cara não vai dar. Muita gente que era a favor do impeachment ficou contra. Porra louca que é, o capitão do golpe virou o maior vilão da história. Ao contrapor-se à presidente, acabou por fortalecer o governo. Virou a disputa do ruim contra o pior. Graças ao marido da moça dos olhos arregalados, as manifestações previstas para este domingo prometem ser ainda menores que as anteriores.

Cunha é o expoente maior da classe política que sempre vicejou no Brasil. É o top de linha, o Justo Veríssimo em carne e osso. O último elo na cadeia evolutiva da cara-de-pau.  Nem ficar vermelho ele fica quando confrontado com o inexplicável.

Seus asseclas na Câmara, por sua vez, também não contribuem para conferir a qualquer votação da casa um mínimo de legitimidade.

Todos, direita e esquerda, querem vê-lo algemado.

Eduardo Cunha matou o impeachment.


Foto: Marcelo Migliaccio

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Ser namoradeira é ser puta?

Cá entre nós, tudo bem que o Serra, a princípio, nunca tem razão. Não sou e acho que nunca serei seu eleitor. Mas a ministra Kátia Abreu jogar vinho no rosto dele porque ele disse, em tom de brincadeira, numa reunião social, que ela era namoradeira...

Peraí, que ofensa há nisso que justifique reação tão agressiva? Tá na cara que o motivo não foi só a impertinência dele, mas para a opinião pública ficou parecendo que foi. E aí, pra mim, quem ficou mal foi ela. Sorte do careca que ela estava com um copo na mão e não com uma faca de cortar canapés...

Ser namoradeira é uma coisa, ser puta é outra.

Ah, mas ela é mulher, é diferente. Diferente, como? Qual o problema de ter namorado muito? A associação disso com promiscuidade é subjetiva e está na cabeça de cada um.


Me lembrei na hora da piada sobre o negro que via racismo em tudo. Um dia um cara disse pra ele que iria passar as férias numa fazenda. E a associação naquela mente enviesada foi imediata: Fazenda? Fazenda tem boi, boi é marido da vaca, vaca dá leite, leite é branco... tá me chamando de crioulo!

Mulheres não vivem pleiteando igualdade?

Então é preciso parar de perpetuar estereótipos com reações "que só as mulheres entendem".


Ah, ministra, espero que não fique chateada com a crítica, mas se ficar... prefiro cerveja.


Foto: Marcelo Migliaccio

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Quem não se comunica se trumbica

Ouvi Dilma falando ontem em Boa Vista. Ouso dizer que todos os problemas que ela enfrenta decorrem de sua dificuldade crônica de se comunicar.

Ela tentou explicar a pedalada fiscal pro povão do Minha Casa Minha Vida e se enrolou toda. Lula teria deitado e rolado. Não sei como o ex-presidente, ao escolher sua candidata à sucessão, não atentou para a máxima do Chacrinha: "quem não se comunica, se trumbica".

Foi só uma observação, o que interessa pra mim é que, desde ontem, mais 11 mil famílias têm sua casa própria.


E tem golpista de direita e de esquerda, caso de Luciana Genro, que pediu eleições gerais em 2016. a justificativa dela pra cassar três anos de mandato de Dilma é que a presidente não tem apoio popular. Hitler e Mussolini tinham...

Ainda bem que o Jean Willis se apressou em dizer que o rompante "Aecista" de Luciana não é a posição oficial do Psol.

Está estampado no rosto de Dilma que ela vive seu pior momento no governo. Mas a frase que eu mais gosto é "o mundo dá muita volta".

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

O golpe quase concretizado

Cenas deprimentes no Congresso. Uma zona, cartaz do Lula vestido de presidiário sendo agitado por deputado no plenário, berraria, empurrões, manobras casuísticas vergonhosas. Esse parlamento é o retrato fiel da indigência mental a que levaram o povo brasileiro. Uma minoria lúcida lutando contra uma manada de ladrões antidemocráticos apátridas imundos.

Que vergonha, meu Deus...

Ou o STF entra em cena ou o impeachment é certo.

E ainda cantam o Hino Nacional...

Hoje talvez seja o dia mais vergonhoso da História do Brasil.


Foto: Marcelo Migliaccio

Enquanto isso, em Oxford...

Quer saber mais sobre a Venezuela? Então vale a pena assistir ao debate abaixo.

domingo, 6 de dezembro de 2015

Constranger Marília Pêra? Nem pensar

Quando entrevistei Marília Pêra, ela chegou na defensiva. Depois de ter sido linchada verbalmente por ter apoiado Fernando Collor em 1989, ela, com razão, ficou com o pé atrás com jornalistas. Mas foi só lembrar de O Homem que Comprou o Mundo, filme em que ela havia contracenado com meu pai, que Marília relaxou. Falou das brincadeiras entre ambos e, gêlo quebrado, iniciamos o papo.

Do que falamos, lembro pouco, apenas que ela disse estar afastada da TV na época por um motivo bem feminino;

_ Atualmente, a televisão não tem tempo para dar a devida atenção a uma atriz da minha idade _ lamentou.

Ela mostrava preocupação com a sua imagem no vídeo, enquadramentos, luz etc. Entendi, perfeitamente.

A conversa transcorreu sem intercorrências até quase o final. Foi quando, seguindo um dos postulados do jornalismo que manda deixar a pergunta mais espinhosa para o último momento, eu disse:

_ Marília, eu não poderia deixar de perguntar...

_ Só veio aqui pra isso! _ ela me interrompeu, meio simpática, meio ríspida.

Sinceramente, hoje, nem me lembro qual era a pergunta. Só sei que não a fiz. Devia ser uma besteira qualquer, pedida por algum editor a fim de uma manchete oportunista e invasiva. Não me recordo sequer em que jornal eu trabalhava.

_ Marília, acho você uma das maiores atrizes do Brasil, jamais escreveria algo que te constrangesse, pode acreditar. Deixa a pergunta pra lá.

Ela sorriu e nos despedimos.

Saí de lá feliz por poder mostrar a Marília Pêra o quanto a admirava.


Divulgação
Marília na novela Supermanoela, de 1974. Eu adorava a maria chiquinha dela

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Há perguntas que um jornalista não deve fazer



quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Golpeachment, o retorno

Cada um tem o herói que merece. O dos golpistas que não sabem perder quatro eleições seguidas chama-se Eduardo Cunha. Pedalada não é corrupção, todos os governos recorrem a elas. Cassar Dilma com base nisso é golpe sim.


Quebrar a ordem democrática é fácil.

Bastam meia dúzia de parlamentares sem vergonha, outro tanto de pilantras togados, uma imprensa tendenciosa, empresários saudosos da escravidão e um povo embotado por overdose de telenovelas.

A eles se juntam os omissos, que ficam em cima do muro, vomitando regra e criticando o mar de lama midiático enquanto o circo pega fogo.

Claro, o impeachment é previsto na Constituição, mas a Carta Magna também diz que a lei vale para todos. Pedalada fiscal é crime? Então que se prendam todos os ex-presidentes vivos e mandem os mortos de volta ao purgatório para uma revisão da pena celestial.

O que essa gente, que sempre votou em notórios corruptos, não perdoa no PT nada tem a ver com corrupção (ressalvando-se que a presidente é honesta). Não perdoam é que se alimente o povo, coloque-se seus filhos na escola, porque um faminto iletrado aceita qualquer salário de fome, aceita ser submetido pelo dono do Porsche a condições de trabalho aviltantes.

Lembra do que essa mesma turma fez com o presidente que criou as leis trabalhistas? E com o que tentou fazer reforma agrária em 1964?

Quando eu tinha 8 meses de idade, houve um golpe, apoiado pelos mesmos que agora querem rasgar meu voto ou por seus pais. Lembro que até o Sheik de Agadir caiu do cavalo. Quando a ditadura caiu de podre, eu já tinha 21 anos e nordestinos caçavam lagartos para não morrer de fome.

Restabelecer a ordem democrática leva décadas. Custa muitas vidas, exacerba a exclusão social, camufla e turbina ainda mais a corrupção. Divide o país ao meio e derrama sangue na bandeira.

Você, que está comemorando a chantagem de um verme contra um governo eleito limpamente, com certeza vai se arrepender um dia.



Essa capa do Jornal do Brasil é do último ano da ditadura militar. A foto fantástica é de Delfim Vieira

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Viver sem medo

Pensamento do dia:

Eu não vou deixar de atravessar ruas porque pessoas morrem atropeladas.