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domingo, 31 de maio de 2015

Futebol de verdade

Metrô, depois trem e pronto, estava de novo em Madureira. Como tem o Engenhão no caminho e era dia de jogo do Botafogo, a Supervia colocou a composição mais nova no ramal. Trem chinês novinho, mas já imundo porque pessoas que o Brasil não conseguiu educar jogam tudo no chão, ignorando as pequenas lixeiras do vagão. Mas, com sujeira, já estamos acostumados, assim como com o verdadeiro camelódromo ambulante lá dentro. Duro mesmo foi ver a inadequação do novo trem às plataformas. Há um verdadeiro fosso a ameaçar os passageiros que entram ou saem. Um passo em falso e... na mesma semana uma mulher se acidentou ali.


Foto: Marcelo Migliaccio

Mas era dia de festa. Pelo menos para as cerca de 600 pessoas que foram ao estádio da Rua Conselheiro Galvão ver o Madureira  enfrentar a Portuguesa de Desportos pela terceira divisão do futebol brasileiro.


Foto: Marcelo Migliaccio

Até um pretenso Bin Laden foi prestigiar a contenda. Apesar da cara de mau, estava em missão de paz.


Foto: Marcelo Migliaccio


Só quando já estava dentro do pequeno estádio, chamado Aniceto Moscoso, descobri o que me levara até ali num sábado, acompanhado da minha santa mulher. Eu fui atrás de um futebol que não existe mais. Bem diferente do jogo fake visto pela TV, com jogadores milionários sem paixão em campo e mauricinhos e patricinhas nas arenas modernas e sem identidade em que os tradicionais estádios foram transformados. Eu queria ver de novo gente jogando a vida ou a morte em campo e povo, povão, ao meu lado numa velha arquibancada. Acho que eu saí em busca da minha infância, que não reencontro mais naquele que já foi o meu Maracanã.


Foto: Marcelo Migliaccio

De um lado, o lendário Madura, patrimônio carioca.


Foto: Marcelo Migliaccio


Do outro, a Portuguesa paulista, vítima da divisão dos clubes de futebol em castas. Quem tem o grosso do dinheiro da TV fica por cima. O resto vai cada vez mais pra baixo. Talvez por isso os ânimos estivessem quentes em campo. E nem era verão em Madureira, imagine se fosse.

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A torcida da lusa, fiel, vai aonde seu time for.


Foto: Marcelo Migliaccio

Mas, como não tinha nenhum Neymar ou Messi em campo (o mais conhecido era o zagueiro Bolívar, ex-Botafogo), a diversão para alguns foi comer umas frutinhas.


Foto: Marcelo Migliaccio


Se me pedissem para resumir o programa, eu diria que é um luxo para poucos.


Foto: Marcelo Migliaccio


Poucos e alegres amantes do verdadeiro futebol...


Foto: Marcelo Migliaccio


Ah, a Portuguesa ganhou de 2 a 1.

Foto: Marcelo Migliaccio



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sexta-feira, 29 de maio de 2015

terça-feira, 26 de maio de 2015

Enxergando longe

Reduzir a maioridade penal pra 16 anos é pouco, gente.
Vamos exigir logo que os bebês apresentem alvará de soltura pra poder sair da barriga da mãe. Se a sementinha do mal tiver dado muito pontapé lá dentro, deixa ela mais um tempo pra aprender a se comportar. Essa molecada precisa é de limite, limite desde cedo...



domingo, 24 de maio de 2015

Aquelas tardes de domingo...

O fim da geral do Maracanã foi talvez o maior crime cometido contra o Rio de Janeiro. Com uma só canetada, numa só negociata, tiraram o circo do povo, ou o povo do circo. Esse filme é imperdível.





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O meu Maracanã

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Centro Integrado de Execução Pública (Ciep)

Vamos supor que fosse aprovada a pena de morte para menores esfaqueadores, como tanta gente por aí anda querendo. Esse que matou o médico na Lagoa seria o primeiro. Poderia ser na cadeira elétrica, injeção letal ou como matam os bois nos abatedouros clandestinos: com pauladas na cabeça.

Seria em local público, com transmissão ao vivo pela TV para todo o país. Fascistas de todas as estirpes se postariam diante da televisão, com um saco de batatas fritas e um refri, para o ver o país entrando nos eixos. Um bom horário é domingo à tarde, no lugar do futebol. Nos intervalos, os telespectadores bateriam panelas nas janelas e varandas, para saudar a medida redentora finalmente aprovada pelo Congresso e implementada pelo Judiciário.

Construiríamos até uma arena só para esse tipo de evento. Poderia se chamar Arena Darcy Ribeiro. Ou Paulo Freire. Mas eu prefiro Centro Integrado de Execução Pública (Ciep). Entrada franca pra quem quisesse ver justiça sendo feita. A nível de espetáculo, a morte a pauladas seria mais interessante. Para narrar, talvez Datena ou Marcelo Rezende.

Na arquibancada, a multidão em êxtase gritaria em coro:

_ Au, au, au, vai pro inferno semente do mal!!!

Nossa, seria maravilhoso, não seria?

E, como estaríamos cortando o mal pela raíz, em alguns anos não haveria mais ladrões adultos nas ruas. Estacionamentos de shopping, vagões de metrô e ciclovias voltariam a ser locais seguros.

Só gente bonita... fina, elegante e sincera, circulando pra lá e pra cá.

Tudo consertadinho, certinho...

Puxa vida, como o paraíso está próximo de nós.

Basta uma paulada na cabeça.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Igualdade, ainda que tardia...

Morreu o ciclista esfaqueado na Lagoa Rodrigo de Freitas.


Burguesia chocada. Agora, morar na Lagoa é tão perigoso quanto no Alemão. É a integração morro-asfalto ao estilo Pezão. 

"Bem-vindo ao meu pesadelo", diz a mocinha que recolhe as bandejas sujas na praça de alimentação do shopping.


Com a infeliz declaração de que um crime desses "na Lagoa é inadmissível", Beltrame conseguiu a proeza de piorar ainda mais as coisas. É o apartheid assumido. Onde seria admissível? O pior é que a Zona Sul já está abarrotada de polícia e não adianta nada.

A emissora líder, avalista incondicional do governo Pezão, não veiculou a veemente declaração da ex-mulher do médico assassinado na Lagoa contra a redução da maioridade penal.

Segundo ela, o médico foi tão vítima quanto as pessoas que cometeram o crime – testemunhas dizem que eram menores.
"São gerações de vítimas do nosso sistema, da nossa falta de educação, saúde. O ser humano caiu no valor banal, onde não existe o menor valor humano."

E segue a campanha para colocar nas cadeias as crianças que não conseguimos educar nem dar dignidade.



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Baixar a maioridade penal não vai mudar as coisas



segunda-feira, 18 de maio de 2015

Tom pichado

Foto: Marcelo Migliaccio


Apesar de ser escoltado por PMs 24 horas por dia, Tom Jobim não escapou. Alguém atacou a estátua, em plena Praia de Ipanema, no último fim de semana. 

A idéia do artista plástico de vestir o compositor com o uniforme da Guarda Municipal só facilitou a ação do pichador. 

Uma intervenção bem no coração...


Foto: Marcelo Migliaccio


















domingo, 17 de maio de 2015

Você se acha moderno?

O conceito de modernidade é relativo e o de beleza então nem se fala. Esse já foi o sonho de consumo de uma geração.

Foto: Marcelo Migliaccio

Sou de um tempo em que andar na rua com a cueca aparecendo era ridículo. Hoje é sexy...

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Lei Áurea

Hoje, completam-se 127 anos da abolição oficial da escravatura no Brasil. Durante 358 anos, os negros, escravizados, foram impedidos de estudar. Por todo esse período, já vigorava o sistema de cotas: 100% das vagas em escolas para os brancos.

Abandonados à própria sorte após a assinatura da Lei Áurea, os negros brasileiros continuaram vivendo à margem.

Por isso, sou a favor do sistema de cotas. Pagamento de uma dívida, instrumento de estabelecimento da igualdade social. Ou, diante de tão longa exclusão, uma tentativa de amortizar a dívida.

Se esse sistema vigorasse há mais tempo, o governo talvez não tivesse precisado resgatar, nos últimos 20 anos, mais de 50 mil pessoas que ainda trabalhavam em regime análogo à escravidão no Brasil, grande parte delas negros (mas não só eles).

A educação liberta.


Foto: Marcelo Migliaccio






domingo, 10 de maio de 2015

domingo, 3 de maio de 2015

Elevador para a Bolívia

Quatro reais. Foi quanto eu paguei por uma viagem de dois dias à Bolívia. O primeiro filme da mostra no Centro Cultural da Caixa foi O Elevador (2009), de Tomás Bascopé. Dois ladrões e um empresário que pretendiam levar ao escritório para roubar ficam presos no elevador de um prédio comercial. O melhor é que isso acontece na véspera do carnaval (lá também tem!) e o conserto só será feito na quarta-feira de cinzas.

Morrendo de calor, e com apenas dois pacotes de batata frita, duas coca-colas e uma garrafa de uísque, eles precisam conviver entre si e com o único revólver disponível. Quem gosta de mergulhar na mente humana e nas relações entre indivíduos em situações limites tem nesse filme um banquete. 

E eu que nem sabia que na Bolívia se fazia cinema...




O segundo filme é um documentário que investiga as razões de a rede mundial de fast food Mc Donald's não ter se criado na Bolívia. Depois de uma mal sucedida experiência com três franquias, a multinacional deixou o país, em 2011. A desculpa oficial foi o medo do terrorismo após os atentados de 11/9, vê se pode?

Mas o filme mostra que a maioria da população, de origem indígena manteve-se fiel à sua cultura alimentícia baseada em produtos da terra. O ritmo do país, diferente da correria reinante no ocidente, também contribuiu além, claro, da baixa renda do povo local que não descende dos colonizadores espanhóis. Mesmo com apenas três lojas (o Brasil tem quase 500) localizadas nos pontos mais caros das três principais cidades, não deu pra eles.

Abaixo, o trailer do filme de Fernando Martinez.


sexta-feira, 1 de maio de 2015

Para o governador "Bato" Richa

E pensar que no Japão o professor é o único que não precisa curvar-se diante do imperador...
Diz-me como tratas teus professores e eu te direi quem és.