Translate

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Informação viciada

A Companhia Vale do Rio Doce, mineradora que era do povo brasileiro e que o PSDB vendeu a preço de banana para empresários em 1997, teve prejuízo de mais de R$ 9 bi no último trimestre, além de acumular dívida líquida superior a US$ 24 bi. A nossa imprensa limita-se a noticiar os números friamente e se apressa em dizer que a causa foi a "alta do dólar". 

Quando o assunto é Petrobras, no entanto, atribui balanços deficitários a ladroagem e má gestão. Você, leitor, é o palhaço da história.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Grandes encontros da História LXXII






50 anos da Globo? Então parabéns ao Shazan e ao Xerife, dois heróis infantis que nunca viram a criança como mercado consumidor. Mas isso foi há muito tempo...

Gozado, tanta gente com lembranças boas mas pra mim foi uma época muito traumática. Eu tinha 8 anos, a gente não podia sair junto na rua, juntava gente sempre. E eu era sempre identificado como "o filho do Xerife". "Você vai ser ator igual ao seu pai?", foi a pergunta que mais ouvi durante anos. Acho que fiquei meio traumatizado...

Uma vez, na festa da chegada de Papai Noel,  no Maracanã, os dois personagens foram aclamados no gramado do estádio. Na saída, porém, eu, meu pai e a minha mãe ficamos presos dentro do carro, envoltos por uma multidão que batia na lactaria e gritava, "Xerife!", "Xerife!". Ficamos todos apavorados, morrendo de calor ali dentro (imagine o bairro do Maracanã no mês de dezembro). Não podíamos nem abrir os vidros e o carro não andava. Nunca me esqueci do momento em que um cara colocou a boca no quebra-vento e gritou:

_ Orgulho mata, heim!

O carro foi andando devagar até se desvencilhar da turba. Foram os 200 metros mais longos e dramáticos da minha vida.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

A conversa do surdo

Há um tipo novo nesse gigantesco supermercado humano que conta com mais de 7 bilhões de itens. Trata-se daquele que fala contigo ao mesmo tempo em que conversa no WhatsApp do celular. Costuma aparecer no retrovisor do seu carro, sentado no banco de trás, onde aproveita que você está de costas para manter aquele diálogo fraudulento, em que ele fala mas não presta atenção em nada do que você diz. E há ainda os mais ousados, ou adictos terminais, que não se acanham de cometer essa descortesia mesmo quando estão frente a frente com você.

Aconteceu comigo recentemente. Não uma, algumas vezes.

Uma vez foi um cara a quem eu dava carona no banco traseiro do carro. Tentei entabular uma conversa, afinal ele era a visita. Deixei-o introduzir um assunto de sua preferência. Ele escolheu o par de chifres que uma garota lhe plantou no alto da cabeça. Tudo bem, fui educado, achei que ele precisava desabafar. Disse-lhe que quem não passou por isso ainda vai passar, que ele ainda era novo, poderia participar ainda de muitas touradas... brincadeira.

Foi aí que notei que eu falava sozinho naquela minha ladainha consoladora. Ele apenas jogava algumas frases e, na minha vez de cumprir a parte que me cabia no diálogo, o infeliz lia e digitava mensagens no WhatsApp dele. Ou seja, o que eu falava ficava sempre sem uma resposta, sem um comentário do meu pseudo interlocutor. Quando ele percebia que minha fala havia acabado, erguia a cabeça e falava mais alguma coisa, dentro do mesmo assunto mas sem relação nenhuma com o que eu havia acabado de dizer. Isso ocorreu duas vezes: novamente eu dizia meu texto e novamente vinha lá de trás um silêncio que durava até ele perceber que era a vez dele falar. Na terceira vez, incomodado com aquilo, olhei pelo retrovisor e vi que ele ignorava minhas assertivas, cabeça baixa, olhos enterrados no maldito celular.

Desisti da conversa e seguimos em silêncio pelo restante do trajeto. Eu dirigindo e ele às voltas com seus chifres e seu celular.

Minha filha, outra adicta do WhatsApp, também costuma fazer isso quando está no banco de trás. Finge que conversa, mas na verdade me deixa no vácuo até que eu canse e me cale.

É um mal destes novos tempos, diferente da infidelidade, que vem de longe.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Nas asas das borboletas

Já mostrei aqui como é bela a Baixada Fluminense, dependendo do lugar, claro... e hoje convido o leitor a continuar essa viagem pelas belezas de um recanto bucólico do município de Magé.

Desta vez, o que me encantou foi o que parecia uma convenção anual de borboletas. Para minha surpresa, elas se reuniram em torno de uma única planta. Tão doce que foi capaz de fazê-las conviverem em harmonia, com suas delicadas asas de todas as cores e tamanhos, durante boa parte daquele dia agradável de outono.

Foto: Marcelo Migliaccio

Foto: Marcelo Migliaccio

Foto: Marcelo Migliaccio

Foto: Marcelo Migliaccio

Foto: Marcelo Migliaccio

Foto: Marcelo Migliaccio

v

Foto: Marcelo Migliaccio

Foto: Marcelo Migliaccio

Foto: Marcelo Migliaccio

Foto: Marcelo Migliaccio

Foto: Marcelo Migliaccio

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Iluminismo

Chinês é um povo fantástico mesmo. Descobriu a pólvora, a tinta, o papel, a bússola, a seda, a homeopatia; inventou a pizza, o macarrão...
E agora revoluciona novamente, criando o primeiro híbrido de pastel e cachorro quente!

Foto: Marcelo Migliaccio

terça-feira, 14 de abril de 2015

Capital x Sem Trabalho

Não havia nenhum mauricinho ou patricinha de verde e amarelo para dar apoio. Invasão é palavrão no capitalismo, e aquela gente toda, suja, mal alimentada, sem instrução, já havia sido expulsa de um terreno do governo do Rio há alguns meses. Expulsar invasor é uma especialidade da casa. Ocupar um imóvel, mesmo que abandonado e pertencente a alguém que possua dezenas de outros, é crime. Agora, eles haviam ocupado um arranha-céu na Praia do Flamengo, arrendado pelo empresário Eike Batista. Falido, o ex-Midas, o self-made man tupiniquim, abandonou o prédio em ruínas, assim como fez com o Hotel Glória, localizado não muito longe dali. 

Foto: Marcelo Migliaccio


Lá dentro, famílias que a mídia trata como invasores. Idosos sem honra, jovens sem futuro e crianças que desde cedo precisam se acostumar com as grades...

Foto: Marcelo Migliaccio


Acho que essa não é a varanda com a qual eles sonharam. Ninguém é invasor por opção, hobby, esporte...

Foto: Marcelo Migliaccio


Sem contar que a vista aqui é a pior possível.

Foto: Marcelo Migliaccio


Do lado de fora, a única coisa que o sistema se propõe a oferecer a quem não faz parte do mercado consumidor: tropa de choque.

Foto: Marcelo Migliaccio


A classe média que fica indignada com o telejornal da noite não está nem aí, muito menos os emergentes que vestem as cores do Brasil para pedir a cabeça da presidente que a maioria escolheu. Só param para olhar, e mesmo assim atrás dos ombros largos dos soldados do capital.

Foto: Marcelo Migliaccio


Antes do embate iminente, a turma da gravata e do salto alto tenta uma última solução negociada...

Foto: Marcelo Migliaccio


Eis os chefes da assistência social do governador traçando as diretrizes do seu mais novo programa de exclusão.

Foto: Marcelo Migliaccio


Mas a coisa parece difícil. Às vezes mocinhos e bandidos se confundem. Quem é vândalo, afinal?

Foto: Marcelo Migliaccio

A grande imprensa está lá, para produzir seus noticiários viciados.

Foto: Marcelo Migliaccio


Mas as pequenas mídias de guerrilha também marcam presença.

Foto: Marcelo Migliaccio


Difícil é achar alguém que aja com o coração nessas horas...

Foto: Marcelo Migliaccio


Quem riu por último na história?

Foto: Marcelo Migliaccio


Adivinhe?

Foto: Marcelo Migliaccio




"E assim nos tornamos brasileiros."

Foto: Marcelo Migliaccio








sexta-feira, 10 de abril de 2015

Branco sai, preto fica

O diretor não tem nome de diretor _ Adirley. Nome de diretor é Antonioni, Spielberg, Fasbinder...

Pois é, mas foi esse diretor, Adirley Queirós, o autor de um dos filmes mais surpreendentes que eu já vi. Um incrível misto de ficção científica e documentário. Sem nenhum efeito especial, sem uma explosão, sem um tiro, sem uma mulher nua, e mesmo assim um filme pesado, contundente, profundo, atual e premonitório.

Dois dançarinos da periferia de Brasília que a PM vitimou ao invadir um baile com a cavalaria conduzem a história. Um deles planeja explodir Brasília. De um futuro não menos caótico e dominado pela milícia evangélica, chega um emissário muito louco para reunir provas da violência policial contra os dois ex-dançarinos.

O espectador demora a entrar na história, aliás, é essa história absolutamente fantástica que entranha no público. Mostra nosso presente, passado e futuro sem nenhum retoque e, o melhor de tudo, com atores desconhecidos.

Adirley Queirós, ex-jogador de futebol profissional por 12 anos, foi corajoso e genial. Tanto que o filme ganhou vários prêmios. Como é ótimo e não faz parte do cardápio das grandes empresas, já está em poucos cinemas aqui do Rio _ apenas um na Zona Sul _  e deve sair logo de cartaz.

Corra!

 

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Turma da faxina

No dia em que o Senado aprovou a volta da obrigatoriedade do diploma para a exercer a função de jornalista (reserva de mercado para um mercado em extinção), foi aprovada, também no Congresso, a votação urgente da Lei da Terceirização, que permite às empresas contratarem pessoal de fora para qualquer função. O Jornal Nacional e a Fiesp acham a medida a oitava maravilha do mundo. Só por isso já sou contra ela. 

Vai desonerar as grandes empresas e jogar o trabalhador nessas firmas de fachada, prestes a fechar a qualquer momento alegando que "não repassaram o dinheiro". Ou seja, em breve seremos todos iguais ao pessoal da limpeza, aquela turma que usa aqueles uniformes medonhos e não faz parte do quadro de funcionários. Em breve, seremos todos, como a galera da faxina, dignos de pena, e as contas dos tubarões na Suíça ficarão ainda mais polpudas.

terça-feira, 7 de abril de 2015

Dia do Jornalista, fim dos jornalões

Depois de muitas décadas fazendo o que de pior podiam em termos de parcialidade e manipulação da informação, vemos agora os grandes jornais e revistas brasileiros se desintegrarem lentamente. 

Deseducaram tanto o povo, aí com a fundamental ajuda da televisão e do rádio AM, que ninguém mais quer saber de ler, não só livros, mas também os próprios jornais impressos.


Ajudaram a derrubar políticos identificados com a distribuição de renda, a reforma agrária, os direitos trabalhistas, ajudaram a prolongar a ditadura militar, patrocinaram Collor, Sarney e FHC, acabaram com as reputações de Getúlio, Brizola, Jango e Juscelino, demonizaram o Partido dos Trabalhadores, adiaram sua chegada ao poder e o difamaram diariamente nos últimos 12 anos, escondendo seus feitos e superdimensionando seus defeitos. 
Mesmo assim, em mais uma prova de que não têm credibilidade, perderam as últimas quatro eleições presidenciais.

Com seus colunistas de aluguel, contribuíram decisivamente para essa sociedade fascista, consumista, racista, violenta, elitista e segregacionista que nos tornamos.



Agora estão minguando. Até mesmo os mais robustos em outros tempos hoje demitem jornalistas aos montes. Quem constata isso, no Dia do Jornalista, é um profissional que esteve dentro dessa engrenagem por 26 anos. Assistimos ao fim de uma era, felizmente. Viva a diversidade e a democracia da informação pela internet, onde esses dinossauros do atraso são apenas uma página entre bilhões de outras opções.


Alguém pode dizer que estou cuspindo no prato que comi. Comi nesse porque não havia outro prato e não estou cuspindo, estou vomitando. 

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Fortunas imorais

Não tenho nada contra o fato de alguém ser rico (desde que seu dinheiro não tenha sido ganho me explorando), mas as fortunas reveladas nas contas de brasileiros no HSBC da Suíça são imorais. Num país, aliás, num mundo em que há tanta miséria, como alguém pode ter US$ 500 milhões numa conta bancária?

Alguém precisa de US$ 500 milhões? Alguém é capaz de gastar essa quantia?

De que adiantam castelos de 70 quartos quando só levarão para o cemitério a roupa do corpo? E a mais barata, porque as roupas caras seus herdeiros não deixarão enterrar.

Qual é a graça de parar no sinal vermelho dentro de um Porsche quando diante do carrão está um menino esquálido fazendo malabarismo?

E foram reveladas contas de apenas um dos cerca de 200 bancos que operam na Suíça, fora os outros paraísos fiscais que aceitam dinheiro de corruptos e corruptores mundo afora.

No topo da lista, estão os donos da Companhia Siderúrgica Nacional, que era minha, era sua, era patrimônio do povo brasileiro, mas os tucanos fizeram o favor de vender a preço de banana.

Também constam na relação, donos de hospitais que salvam sua vida se você tiver dinheiro ou te deixam morrer na calçada se não tiver.

É para isso que eles vivem falando, eles e seus papagaios colunistas de jornal e TV, que "é preciso encolher o estado". Querem encolher o estado para aumentar ainda mais essa concentração de renda indecente que existe no Brasil e em tantos outros países. E ainda reclamam do governo que fala em taxar essas fortunas irreais.

Se esse dinheirão enviado ao exterior não foi declarado à Receita Federal, as fortunas, além de imorais, são também ilegais.

Ontem muitos hipócritas exaltaram a Páscoa, Jesus etc. Mas quando se fala em repartir o pão, aí ninguém quer dar nem um farelo dos seus US$ 500 milhões.


Foto: Marcelo Migliaccio

sexta-feira, 3 de abril de 2015

A volta dos mortos vivos

Só leio o título: "LULA ESTÁ MORTO", diz um colunista, que, ao que me consta, nunca fez nada pelo Brasil. Sua especialidade é intriga contra governos de esquerda na revista que tinha como pauteiro o bicheiro Carlinhos Cachoeira.

Bom, se Lula está morto, em 2018, pela primeira vez na História deste país, teremos um cadáver despachando no Palácio do Planalto.

quarta-feira, 1 de abril de 2015

A vida

Recomendo a todos o filme Para sempre Alice. (obrigado pela correção, Cury)

Tudo acaba, menos o amor.