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domingo, 28 de setembro de 2014

Passado escondido

Hoje é dia de fazer justiça com uma rua injustiçada, a Rua São Clemente, em Botafogo. Durante a semana, é um lugar onde nenhum carioca deseja estar. Sempre engarrafada, barulhenta, cheia de fumaça, o caos. Para piorar, as calçadas são mínimas. Na Rua São Clemente, ninguém passeia, só passa.


E é aí que está o problema. O carioca não tem tempo nem espaço para observar o que essa rua do bairro de Botafogo tem de melhor: seus raros casarões antigos. O mais famoso deles, mas nem por isso menos inexplorado, é a Casa de Ruy Barbosa, onde morou, advinhe… Ruy Barbosa (1849-1923), graças a quem eu descobri pelo menos uma coisa, o significado da palavra polímata (pessoa cujo conhecimento não está restrito a apenas uma área). Pois o nosso Ruy foi diplomata, político, tradutor, jurista, escritor, filólogo e orador). Com todos esses predicados, tinha que morar mesmo numa casa dessas.



Mas há outras na Rua São Clemente, sufocadas entre prédios feios e desconexos.


Por trás de portões e pichações, esconde-se a atmosfera do século 19.


Se os cariocas não prestam atenção, os turistas estrangeiros dão o devido valor.



E há sempre o que ver...



 Por trás do caos urbano que nos aprisiona, ainda é possível transcender.



Oásis na metrópole.


E cabeças-de-porco (ou cortiços, como se dizia naquela época), claro. Embora com os dias contados na valorizada Zona Sul, ainda nos lembram que estamos no Rio.


Vai entrar?

Miséria e jóias antigas restauradas em política de boa vizinhança.


História com data pra ninguém duvidar.


O consulado de Portugal tinha que ser nesse recanto do Rio que já foi antigo...


Se Botafogo não é bairro, é passagem, quando passar não perca os detalhes.


Vale a pena.




domingo, 21 de setembro de 2014

I love Lucy

O casamento do cinema com a ficção científica chegou ao climax. Enfim, um filme de ação que não é rasteiro, em que nenhum tiro é gratuito. Lucy, pra mim, é um marco. Profundo, questionador, filosófico, mas nem por isso chato. Eletrizante com consistência.

Diferente de tantos outros, Lucy é cinema e não um videogame na tela grande. Entretenimento que faz pensar, quer mais do que isso?

Só para comparar com outro filme de ficção científica em cartaz, Lucy é mil vezes melhor que o chato e pretensioso Doador de Memória.

Scarlett Johansonn (que atriz fantástica), Morgan Freeman (é na coadjuvância que se evidencia o gênio) e Choi Min-sik (isso é um vilão!) brilham à frente de um elenco impecável. Até os capangas estão bem (um bom critério para avaliar um filme de ação é a interpretação dos capangas). A direção é de Luc Besson em seu melhor momento. Quase todos os takes no lugar certo e com a duração devida. Só a sequência em que ela faz o diabo no trânsito de Paris poderia ser um pouco mais curta. No fim das contas, são 89 minutos com a platéia imóvel, grudada na cadeira, como tem que ser o bom cinema, não importa o gênero do filme.

Nunca os efeitos especiais foram tão bem usados. O final é revelador e traz uma nova concepção de Deus ao centro da cena. Há muito tempo eu não via um filme tão impactante.

Imperdível, só isso.


terça-feira, 16 de setembro de 2014

Veja o que os jornais esconderam hoje de você:

As conclusões foram divulgadas nesta terça-feira (16) pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), em novo relatório que abordou a insegurança alimentar.
O documento diz que o Brasil reduziu à metade a porcentagem de sua população atingida pela fome, cumprindo assim um dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), fixados pelas Nações Unidas para 2015. Os ODMs são uma lista de oito pontos, estabelecidos pelas Nações Unidas em 2000, que têm o propósito de melhorar as condições de vida das pessoas no horizonte de 2015.
Sobre o país, o relatório da FAO assinala que o programa "Fome Zero" fez da fome um problema fundamental incluído na agenda política do Brasil a partir de 2003. A taxa de desnutrição no Brasil caiu de 10,7% para menos de 5%.

De acordo com a ONU, esses esforços realizados pelo Brasil permitiram que a pobreza diminuísse de 24,3% a 8,4% entre 2001 e 2012, enquanto a pobreza extrema também caiu de 14% a 3,5%. A ONU também lembra que em 2011 o país introduziu novas políticas para tratar a pobreza extrema, que contemplavam uma melhora no acesso aos serviços públicos para fomentar a educação, a saúde e o emprego.
As políticas econômicas, diz o relatório, e os programas de proteção social, combinados ao mesmo tempo com programas para a agricultura familiar, contribuíram para a criação de emprego e ao aumento de salários, assim como à diminuição da fome.


segunda-feira, 15 de setembro de 2014

A piscina de ondas

No final dos anos 70, a ditadura já começava a capengar mas ainda tinha seus arroubos de grandeza. Um deles foi a tentativa de recriar a praia no meio do Planalto Central. Surgiu então a piscina de ondas do Parque da Cidade, o principal de Brasília.

Reprodução
A piscina cheia em 1978
Quando mudei para lá, em 87 ela ainda funcionava. Carioca que sou, achei uma aberração, um lugar meio deprimente para quem conheceu uma praia de verdade. As ondas, geradas por um dispositivo pneumático, vinham em intervalos constantes. Uma chatice, e ainda por cima aquele cheiro de cloro na água.

Nem se comparava à piscina de água mineral, no Parque Nacional de Brasília, essa sim uma maravilha nos dias de semana, quando não está tão cheia de gente.

Mas a piscina de ondas… uma praia artificial não poderia dar certo…

Tanto que acabou.

Recentemente, estive na capital e fui dar uma volta no Parque, que é imenso e muito bonito.

E, por trás de um muro castigado e de cercas cheias de buraco, lá estava o esqueleto de uma era: a piscina de ondas.

 As roletas que eram a entrada para uma estranha extravagância.

Foto: Marcelo Migliaccio


Um melancólico cemitério de memórias infantis...

Foto: Marcelo Migliaccio


Aqui, muitos comeram cachorro-quente e beberam Mirinda, Crush ou Grapette...

Foto: Marcelo Migliaccio

Lá do fundo vinham as ondas. Aqui na frente era a "beira-mar" do cerrado.

Foto: Marcelo Migliaccio

Hoje, só uma suja poça de água das últimas chuvas. A onda passou.