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domingo, 28 de dezembro de 2014

Azul celeste

Um país onde o presidente anda de fusca, fumar maconha nao é crime, o sol brilha às nove da noite e a seleçao joga com amor à camisa. Que país é esse?

Ah, mais uma dica: os computadores nao têm til.

É o Uruguai!

Carros velhos nas ruas, serventia do Mercosul


Foto: Marcelo Migliaccio


E belos pássaros, serventia deste planeta, por enquanto...

Foto: Marcelo Migliaccio


Aqui, o sol brilha forte e nem estátua aguenta.




Muitos idosos de cabelos prateados a contemplar o tempo que passou às margens do Rio da Prata.




Um rio que convida à refletir com tranquilidade, mesmo sabendo que há argentinos na outra margem.



Ônibus antigos, claro, fazem parte da paisagem. Esse aí, acho que vi em Copacabana durante a Copa
.


E a pelada é disputada mesmo na praia. Uruguaios detestam perder no futebol. Aprendemos isso já em 1950.


A bandeira da miséria também tremula por estas bandas.



E no Natal em Montevidéo, estouram mais fogos que no Réveillon carioca, juro. Foi quase uma hora de estrondos ininterruptos. Depois, as caixas ficam espalhadas pelas ruas. Aqui, Natal se chama Navidad.


Acredite: isto é a praia às nove e meia da noite. Noite!?


E que lua vem a seguir!



Um crepúsculo fenomenal que Ghandi contempla diariamente.



Mas a festa rave só termina quase ao meio-dia. E a turma ainda sai animada. Papai Noel deve ter distribuído muita bala...



Outra juventude, a excluída, ganha a vida no sinal, limpando pára-brisas. Já vi isso antes...




E ainda dizem que o sol nasce para todos...









domingo, 21 de dezembro de 2014

Bukowski de trenó

Quando a hipocrisia e a ferocidade do ano inteiro se transformam numa fraternidade meia boca e num consumismo esquizofrênico, Charles Bokowski nos traz de volta à realidade:

"Somos finos como papel. Existimos por acaso entre as percentagens, temporariamente. E esta é a melhor e a pior parte, o fator temporal. E não há nada que se possa fazer sobre isso. Você pode sentar no topo de uma montanha e meditar por décadas e nada vai mudar. Você pode mudar a si mesmo para ser aceitável, mas talvez isso também esteja errado. Talvez pensemos demais. Sinta mais, pense menos."


Foto: Marcelo Migliaccio

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

O declínio do império americano

No momento em que os EUA reatam relações com Cuba depois de um bloqueio genocida de 52 anos, vale a pena ver o excelente filme Homens, Mulheres e Filhos, que mostra a que ponto de degradação existencial chegou a sociedade norte-americana. Um caminho, aliás, que nós, brasileiros, estamos seguindo, colonizados que somos.


terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Paredes não têm só ouvidos

Nos filmes e nas novelas, antes que alguém faça uma confidência, sempre surge o alerta, dado pela velhinha ou pelo mordomo:

_ Cuidado, as paredes têm ouvidos…

Todo mundo sabe que têm, principalmente nas grandes empresas…

Mas uma parede que tem olhos eu nunca tinha visto. Um anônimo deixou esta obra de arte num casarão em reformas aqui no Rio.

Foto: Marcelo MIgliaccio

domingo, 14 de dezembro de 2014

Histórias da esquina

Já tinha visto virarem nome de rua políticos, artistas, militares, latifundiários, médicos, advogados, nobres, atletas… mas foi a primeira vez que vi um cara virar nome de rua por ser genro de alguém.



Que méritos teria esse genro para merecer tal honraria? Seria a filha do barão um fardo tão pesado que justificasse tal presente ao obscuro Alberto de Campos? Provavelmente nunca saberemos, porque os historiadores não costumam investigar com tanta profundidade. E a profissão do genro? Seria tão irrelevante a ponto de não constar na placa? Será que ele passava o dia na praia jogando frescobol?

Ainda intrigado com o nome daquela rua de Ipanema, saí à procura do Barão cujo prestígio era tão grande que levava até seus contraparentes à glória.

E, como estamos no Rio, fui achar o Barão de Ipanema em… Copacabana!



Lá estava ele, plantado numa esquina da Avenida Atlântica, com vista eterna para o mar. E aí vieram novas surpresas: ele não era o primeiro, mas o segundo barão, seja lá o que isso significar.  Se ele era o segundo, o vice, quem teria sido o primeiro barão? Talvez o do Rio Branco, que até teria, no futuro, o rosto estampado em cédula

E mais, segundo a placa, o Barão de Ipanema era um barão "com grandeza". Teria ele um metro e noventa de altura, dois metros?


Lapsos da História...


quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

O guarda Tom a postos!

Nunca vi estátua de roupa, mas em se tratando de Tom Jobim, tudo é permitido. Só que não precisavam vestir o genial maestro com a farda da Guarda Municipal.

Foto: Marcelo Migliaccio


Conjuntinho cáqui sem vergonha. O Rio é uma cidade pródiga em estátuas. Daqui a alguns anos, não se dará um passo sem esbarrar num maganão de bronze. Apurei nos subterrâneos da prefeitura que o próximo a ser eternizado é o técnico Joel Santana. Sua estátua será fincada diante do consulado dos Estados Unidos, numa homenagem ao treinador pela divulgação da língua inglesa pelo planeta…

No caso do Tom, a mesma fonte da prefeitura, nada confiável, diga-se, assegurou-me que é uma estratégia para afugentar pivetes do Arpoador. Uma espécie de espantalho. Os moleques olham de longe e acham que tem um guardinha vigiando a área. E aí vão roubar celular bem longe, lá no Posto 9…

Como nem um colosso de bronze consegue carregar um piano nas costas, colocaram um violão no ombro do maestro. Em vez de descer o cassetete no pivete, o guarda Tom dará com o violão no lombo do pequeno meliante.

A inauguração teve música à beira-mar...


Foto: Marcelo Migliaccio


E os músicos, principalmente o pianista, sentiram na mufa a força do sol no verão.

Foto: Marcelo Migliaccio


Foi uma festa tipicamente carioca, ou seja, uma zona.

Foto: Marcelo Migliaccio


Mas, vem cá. É o Tom Jobim mesmo? Fiquei em dúvida entre Tarcísio Meira e Adam West, aquele Batman dos anos 60...

Foto: Marcelo Migliaccio



segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

A Lua roubou a cena

O que brilha mais que 3 milhões de lâmpadas?

Foto: Marcelo Migliiaccio


 Fui ver a árvore de Natal da Lagoa Rodrigo de Freitas, que este ano me parece mais modesta. Algum executivo do banco deve ter aparecido na reunião com aquele vaticínio que ninguém gosta de ouvir numa empresa:

_ Temos que enxugar os custos.

Todo mundo em volta da mesa gelou, mas ele desta vez queria podar só a árvore de Natal e não a folha de pagamentos. Ufa!

O resultado é que a variação de cores agora é menor e os desenhos logo se repetem. Também não vi o chafariz que jorrava da gigantesca construção no ano passado. Deve ser a seca em São Paulo, a locomotiva do Brasil…

A árvore mudou, mas a multidão em volta do espelho d'água continua a mesma. Muita, muita gente disparando seus celulares. Criança correndo, casais fazendo juras de amor eterno, vendedor de cachorro quente com salsicha ou linguiça. Vai?

Foto: Marcelo Migliiaccio


Mas eis que de repente…

Um assalto? Não. Não desta vez.

Sai de trás dos montes a dama da noite, nosso satélite natural preferido: a Lua, uma super-lua de verão.

Foto: Marcelo Migliiaccio


Isso sim é que é brilho. Não é jogada de marketing de banco nenhum. Um brilho genuíno ao qual infelizmente nos acostumamos, mas que deveria ser reverenciado sempre que se mostra com tal magnitude.

A multidão que só enxergava a árvore, deveria virar-se para o outro lado e dedicar uma salva de palmas à maravilhosa Lua.

Foto: Marcelo Migliiaccio



domingo, 7 de dezembro de 2014

No rádio

No domingo, participei do programa É Tempo de América, na Rádio Manchete AM (760), falando sobre esse clube tão querido do Rio e sobre o documentário que fiz em 2006.

Para ouvir a entrevista clique no link abaixo:
É Tempo de América


Trailer do documentário Paixão Rubra

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

A voz da sala escura

Jorgeh Ramos foi um dos principais dubladores do cinema brasileiro. Além disso, narrou centenas de trailers e não há entre nós quem não se lembre da voz que tanto ouvimos na sala escura, a nos convidar a voltar para ver um novo filme.

Ele morreu há alguns dias, aos 73 anos. A reportagem abaixo foi feita em 2013, pela Band do Rio Grande do Sul.








sábado, 29 de novembro de 2014

Desequilíbrio ecológico

Trazido por um imbecil para um habitat que não é o seu, o mico ronda o ninho do bem-te-vi. Quer comer todos os ovos.

O bem-te-vi espanta o mico, que foge pelos fios de alta tensão. O pássaro dá rasantes, fustigando o pequeno primata com seu bico de rapina. Defender os seus é seu único instinto.

Embaixo de um carro, o gato espreita a luta lá no alto. Seria capaz de almoçar aquele macaco e jantar o passarinho, honrando assim seu parentesco com os grandes felinos caçadores.

Pela janela da casa luxuosa, um adolescente fascista não tira os olhos do gato. Seu fetiche é torturar o bichano e colocar o vídeo na internet. Legal!

Sentado na esquina,  o menino sem futuro mira o relógio do adolescente fascista. Se conseguir roubá-lo, venderá por cinco reais para comprar uma pedra de crack.

De dentro da viatura, o policial vigia o futuro assaltante-sem-futuro. Se tiver chance, vai jogá-lo do alto do morro do Corcovado.

Morro onde os micos alienígenas, trazidos de longe por um imbecil, se proliferam.



quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Debaixo do pano

É sabido que aqui no Brasil muita coisa acontece debaixo do pano. Mas uma delas ainda passa despercebida aos olhos dos que tentam moralizar as coisas.

O assunto deve despertar especial interesse nos turistas que pretendem passar o Réveillon em Copacabana, o maior, o mais grandioso, o mais espetacular programa de índio do planeta. Sim, uma balbúrdia infernal com 2 milhões de pessoas bêbadas, legiões de assaltantes à espreita e barulho e sujeira para ninguém botar defeito.

Além de todo esse caos, uma armadilha se esconde em boa parte dos restaurantes da lendária Avenida Atlântica. Está nas mesas dispostas no calçadão, porém não é notada pelo incauto freguês, que nunca tem a iniciativa de levantar a toalha e olhar o estado miserável em que se encontram. Se o cliente passasse por ali de manhã bem cedo, antes de as toalhas serem colocadas, pediria a conta sem nem mesmo sentar.

Foto: Marcelo Migliaccio


Algumas mesas parecem ser da época da santa ceia. E pensar que, na última noite do ano, comer uma gororoba sobre um desses poleiros de pombo chega a custar R$ 500,00 por pessoa...

Foto: Marcelo Migliaccio


Justiça seja feita: há estabelecimentos, geralmente os mais novos, que ainda têm mesas apresentáveis.

Foto: Marcelo Migliaccio


Mas a regra é a seguinte: quanto mais antigo o restaurante, pior o estado das mesas.

Foto: Marcelo Migliaccio


Quando está tudo arrumadinho, é difícil suspeitar que debaixo dessas lindas toalhas haverá mais fungos e bactérias do que grãos de areia na praia.

Foto: Marcelo Migliaccio


O Rio tem uma lei que obriga os restaurantes a abrirem suas cozinhas ao cliente para uma rápida inspeção na higiene. Pois deveriam também obrigar os gerentes a levantarem as toalhas das mesas para que víssemos o estado em que se encontram. É de causar indigestão.

Foto: Marcelo Migliaccio






* Prepare-se para ler sobre isso em algum jornal carioca nos próximos dias...

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Tigres e dragões

Outro dia, tive que rir com um desses apresentadores de programas policiais da TV.

_ Se vierem me assaltar eu reajo e atiro primeiro. Não quero saber se depois vão me processar. Prefiro ser julgado por sete que carregado por seis.

Nenhuma das duas alternativas me parece vantajosa.

A tragicômica declaração reflete uma preocupação comum a todos nos dias atuais. Envolver-se numa confusão, mesmo que involuntariamente, é um risco que corremos em cada esquina. E, quando o perigo se apresenta, o que fazer?

Todo valentão é um retardado. Sim, depois que inventaram a arma de fogo (e já faz tempo), os corajosos tornaram-se uma espécie em extinção. Claro, como eram muito numerosos dada a vaidade inerente ao ser humano, ainda há muitos valentões por aí. Mas não tantos quanto no tempo das diligências. Desde então e diariamente, vários são abatidos à bala. Cowboy, só no cinema.

Não interessa se o cara é fera em algum tipo de luta, ou em MMA, que misturou todas tornando a briga de rua o esporte que mais cresce no mundo. Basta um esquálido apontar uma pistola na direção do lutador e… babau.

Pelo fato de simplesmente analisar o mundo que o cerca e trabalhar com possibilidades, riscos e vantagens, o homem inteligente jamais reage a uma provocação.

Se, num supermercado, um imbecil furar a fila e entrar na sua frente, deixe pra lá. Dê uma reclamadinha protocolar mas não vá além disso. Se o cara quiser comprar uma briga com você, conte até dez e fique na sua. Se a coisa parar por ali, o que você perderá? Dois minutos ou três até que aquele suicida em potencial registre e pague seu carregamento de batata chips e refrigerante? É muito pouco para arriscar-se a interagir com um desconhecido. Se ele quer morrer, não serei eu a realizar seu desejo.

Se, no entanto, sua vaidade obrigar você a reclamar com o furão, as perspectivas não serão nada boas. Digamos que após os xingamentos, os dois partam para as vias de fato (não vou considerar a hipótese extrema de homicídio). Ou você vai bater ou apanhar.

Se bater, poderá ser processado por lesão corporal e até preso. Na cadeia por não querer perder dois minutos na fila... E, se apanhar do furão, pior ainda. Imagine, ficar banguela ou com o olho roxo porque sua vaidade não deixou que você engolisse aquela perereca.

No transito, também, o valente corre sério risco de se dar mal. O medroso não: leva fechada, fica na dele e sai ileso.

Qualquer animal, seja ele grande como o elefante ou forte como o leão, evita o contato com tudo que pode ser perigoso. O embate é sempre sua última opção.

Deveria ser a nossa.

domingo, 16 de novembro de 2014

Corrupto e corruptor

Quem apareceu primeiro, o ovo ou a galinha? Pra mim foi o ovo, que geraria um ancestral das penosas bem parecido, mas que ainda não era uma galinha como a conhecemos hoje. Uma mutação dentro daquele ovo fez surgir então, a primeira galinha da História, para alegria dos galos de plantão, que já estavam subindo pelas paredes.

Mas a questão aqui é outra. Como a galinha, ela também dá pena, só que outra pena, a pena do dinheiro público que se esvai na corrupção. E nesse caso também falta pena, pena de prisão para corruptos e corruptores.

Quem é mais culpado, o corrupto ou o corruptor?

A questão entrou na ordem do dia porque, pela primeira vez, executivos de grandes empreiteiras foram para atrás das grades. Trocaram seus colchões de pluma de faisão dinamarquês por colchonetes-entorta-cervical e seu caviar por arroz e feijão com macarrão, especialidade do cardápio na carceragem da Polícia Federal.

Como diria um certo barbudo, "nunca antes na História deste país" corruptores de tal monta foram presos. Espera-se que a nossa Justiça não os solte e que os milhões das negociatas voltem para os cofres públicos. São milhões, bilhões que fazem falta nos hospitais e nas escolas, nas vielas sem esgoto e nos barracos insalubres.

Mas, voltando à pergunta do dia. Pra mim, o corruptor é mais culpado, deveria, portanto, ter uma pena maior do que a do funcionário público que aceita propina. O motivo é simples: se as empreiteiras não pagassem o suborno, não haveria corrupção. O servidor público corrupto da Petrobrás, assim como o da Polícia Militar, da fiscalização sanitária, da Receita Federal etc só recebe por fora porque alguém aceita pagar. Alguém que não pensa no próximo nem no futuro, só em si mesmo, na sua conta bancária.

Se ninguém pagasse propina, o corrupto morreria de inanição financeira.

Se esses peixes grandes pegos agora ficarem na cadeia, se forem condenados a penas exemplares e, mais importante, se cumprirem suas penas na tranca, a frase dita ontem pela presidente Dilma vai virar verdade: o país vai mudar.

Com a faca e o queijo na mão, está o poder Judiciário. Depende dele a mudança de mentalidade que só vem com um belo exemplo.



sexta-feira, 14 de novembro de 2014

O novo Pelé

Há coisas que a gente escuta desde pequeno.

"Nunca mais vai nascer outro Pelé" é uma delas.

Outra: "Igual a Pelé só nasce de cem em cem anos".

Como a maioria das coisas que a gente escuta desde pequeno, essas duas são "verdades" de araque.

Nasceu outro Pelé e ele se chama Neymar. Sua genialidade excede a média dos craques. Sim porque existe o jogador bom de bola, o craque, o super-craque e o Pelé. Antes de Neymar, o único Pelé que eu conheci chamava-se Diego Maradona. Agora, surgiu mais um: esse magrelo com cara de criança e cabelo esquisito. Portanto, na minha curta existência, já vi surgirem dois Pelés, fora o original, que só vi jogar de perto uma vez, em 1976, um ano antes da aposentadoria definitiva.

Neymar é um novo Pelé. Cheguei a essa conclusão não pelos gols que ele faz desde que surgiu no Santos (como Pelé) ainda um moleque. Nem pelas jogadas imprevisíveis e nunca vistas, como, por exemplo, dar um passe usando, pasmem, as costas.

Digo isso pelo que vi no estádio da Turquia onde a seleção brasileira jogou há alguns dias. O Brasil enfiou 4 a 0, com dois gols de Neymar. Até aí, nada demais. O inusitado foi a reação dos milhares de turcos, que não só aplaudiram o genial brasileiro como vaiaram seus compatriotas que ousaram derrubá-lo com faltas.

Quem viu o filme Expresso da Meia-Noite sabe que os turcos não são de brincadeira. No futebol, seus torcedores estão entre os mais fanáticos do planeta. Dizem que os brasileiros, quando estão num estádio, vaiam até minuto de silêncio. Pois os turcos são capazes de ressuscitar o morto para que a partida comece logo. Ou seja, aquela massa que nunca primou pelo fair play rendeu-se a Neymar.

Eu já tinha visto, aqui no Brasil, a torcida do Cruzeiro aplaudir esse jogador fora de série num jogo em que ele, atuando pelo Santos, destruiu o time azul em plena Belo Horizonte. Agora foi a vez dos truculentos turcos trocarem os apupos do início da partida pelas palmas e gritos de "Neymar!!!".

Isso só aconteceu antes com Pelé, acho que nem com Maradona, que era bad boy demais para ser unanimemente reverenciado.

Por isso afirmo sem medo de errar: nasceu outro Pelé, e ele se chama Neymar.



segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Caatinga Atlântica


Paisagem semelhante, eu só tinha visto no agreste pernambucano, a caminho de Caruaru. Vegetação seca, em vez de verde, a cor predominante é o marrom.


Foto: Marcelo Migliaccio


Folhas queimadas impiedosamente pelo sol, que parece ter tido um ataque egocêntrico e dado um cartão vermelho para a chuva, tornando-se a estrela solitária desse triste espetáculo. Se o sol nunca rimou com tristeza, bastou tirar a chuva de cena para que, sem o antagonista tão fundamental, o astro-rei se transformasse no vilão da história.

Foto: Marcelo Migliaccio


Não, não estamos mesmo no Nordeste, mas numa das poucas reservas de Mata Atlântica que resistem no Rio de Janeiro. Estamos no costão do Pão de Açúcar, onde os cinquenta tons de verde têm agora a companhia do marrom.

Foto: Marcelo Migliaccio


Se qualquer vestígio de água dá a esperança aos nossos cientistas de que pode ter havido vida em marte, a ausência dela aqui na Terra nos traz o fantasma da própria extinção.

Foto: Marcelo Migliaccio


A seca que tantos transtornos já causa aos paulistas chegou ao Estado do Rio. Era um problema do vizinho, agora é nosso também. Nossos políticos, que se apressaram em negar água aos irmãos, agora experimentam os primeiros efeitos da falta do precioso líquido. E logo São Paulo, onde tantos hostilizam os nordestinos, foi o primeiro estado no sul maravilha a provar o gosto amargo do flagelo da seca que tanto fez sofrer os discriminados patrícios lá de cima.

Foto: Marcelo Migliaccio


Enquanto muitas plantas morrem, a jaca ainda prolifera num cenário assustador. Mas quem come jaca?

Foto: Marcelo Migliaccio


Será que vai chover? Chover, vai, só não sei quando. E, quando chover, sai de baixo. Sempre ouvimos que o clima no planeta está mudando, só que eu acho que já mudou, e de uma hora para a outra. O último relatório climático avisou que em 100 anos dois terços da população mundial não terão água potável. Será que foram otimistas quanto ao prazo? Foi o que nossos brilhantes executivos conseguiram além de gerarem dinheiro que não acaba mais. Todo esse dinheiro vai nos salvar? Seus carrões blindados vão livrá-los da desertificação? Quem polui mais? A China, os Estados Unidos, ou o emergente Brasil? Quem está em primeiro no ranking da destruição da camada de ozônio?

Pobre sol, tornado vilão de um roteiro funesto, escrito há décadas pelos donos de um sistema produtivo que faz propagandas tão hipócritas quanto caras na televisão 

"Isso muda o mundo"…

Mudou mesmo. 

Foto: Marcelo Migliaccio


Em outros cantos da cidade, o quadro é semelhante.

Foto: Marcelo Migliaccio


Isso é grama que se apresente?

Foto: Marcelo Migliaccio



Tanta água em volta… e tanta melancolia no cartão postal.

Foto: Marcelo Migliaccio

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Cadê?

Naquele dia, o Rio amanheceu diferente. Nada grave, só que a paisagem sumiu…

Foto: Marcelo Migliaccio



A praia sumiu… O casal foi curtir um sol, mas cadê o mar?

Foto: Marcelo Migliaccio


Vai ser difícil conferir o troco.

Foto: Marcelo Migliaccio



Para os turistas, uma lástima. Fotos com fundo infinito na Cidade Maravilhosa não dá.

Foto: Marcelo Migliaccio



Não é bem isso que eu chamo de descansar à sombra de um coqueiro.

Foto: Marcelo Migliaccio


Na ciclovia, luz baixa ao cruzar veículo.

Foto: Marcelo Migliaccio



E, na pista, agora é assim que caminha a humanidade.

Foto: Marcelo Migliaccio



Que cidade é essa?

Foto: Marcelo Migliaccio



Copacabana Palace ou London Palace?

Foto: Marcelo Migliaccio


Quem mora lá no alto, acordou nas nuvens.

Foto: Marcelo Migliaccio

E o Altíssimo, então, nem se fala.

Foto: Marcelo Migliaccio


Ir a Roma e não ver o Papa ainda vá lá, mas subir ao Corcovado e mal ver o Cristo, ninguém merece.

Foto: Marcelo Migliaccio


Pelo menos, tinha alguém de braços abertos.

Foto: Marcelo Migliaccio


Vale tudo pra fazer um programa furado valer a pena, até um salto ao estilo Barishnikov.


Foto: Marcelo Migliaccio


Bela vista!

Foto: Marcelo Migliaccio


Uma fresta de paisagem é motivo de festa.

Foto: Marcelo Migliaccio

Um close do fotógrafo arrojado.

Foto: Marcelo Migliaccio


Olha o passarinho...

Foto: Marcelo Migliaccio

Depois dessa, só resta o caminho do aeroporto...

Foto: Marcelo Migliaccio