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terça-feira, 24 de setembro de 2013

Sem graça

Foto: Marcelo Migliaccio
Por que os políticos gostam de macular as paisagens?

Nunca consegui achar graça nas coisas que o Millôr Fernandes escrevia ou desenhava. Não achava ele o gênio aclamado pela turma do Pasquim. Talvez seja um problema de geração, porque o humor muda com o passar do tempo. Como dramaturgo e escritor, desconheço suas realizações, o que deve ser outra falha minha.

Mas ainda menos engraçado que o Millôr é o estado em que se encontra o monumento em sua homenagem fincado no Arpoador, o cantinho mais bonito do Rio. Além de manchar o cartão postal de Ipanema, a estrutura está toda enferrujada. Achei a iniciativa da prefeitura um absurdo, nem que Millôr fosse uma unanimidade aquele monstrengo ali se justificaria. Mas políticos adoram se perpetuar nas placas...

Foto: Marcelo Migliaccio
Belo monumento à ferrugem




Certamente um gênio da administração municipal achou que a estrutura de ferro criada por Jaime Lerner, bem ali, entre duas praias (Arpoador e Diabo) resistiria ao vento e à intensa maresia. Ou então ele usou aquele velho artifício dos administradores públcos brasileiros: primeiro, usa-se material de segunda categoria superfaturado a preço de primeira. Como a coisa logo se deteriora, porque é vagabunda, o administrador tem a chance de promover outra concorrência para a obra de restauração.






quarta-feira, 18 de setembro de 2013

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Lauda e Hunt

Nikki Lauda e James Hunt (os reais): uma bela rivalidade

Nunca gostei de automobilismo. Acho até os carros bonitos, gosto de carros, vi um fórmula 1 da ferrari exposto num shopping e achei belíssimo. Já as corridas são pra mim uma coisa muito chata. Uma sucessão interminável e monótona de voltas e mais voltas. De vez em quando, tem uma ultrapassagem aqui, um acidente ali mas na maior parte do tempo me dá sono.

Quando eu tinha 12 anos, porém, acabei decorando os nomes de muitos pilotos da época, já que via muita TV e isso era inevitável. Quando a gente é criança presta muita atenção em tudo. Para você ter uma ideia, eu sabia a escalação dos 12 times que disputavam o campeonato carioca em 1975, muito em função de minha paixão pelo futebol de botão. Eu gostava mesmo era de bola rolando...

Voltando às pistas, mesmo não assistindo às corridas, eu conhecia a fisionomia de Jack Stewart, Emerson Fittipaldi, Clay Regazzoni, Ronnie Peterson, Carlos Reutman e Niki Lauda, entre outros pilotos. Sena, Prost, Piquet não existiram pra mim, mas até hoje lembro de Mario Andretti e Vitorio Brambila. E acompanhei chocado o acidente que quase matou Lauda em 76.

Romantismo setentista: uma Tyrrell de seis rodas
É justamente sobre esse piloto austríaco _ e sobre seu grande rival, o inglês James Hunt _ um excelente filme que entrou em cartaz aqui no Rio. Rush é um primor de reconstituição de época, direção, interpretação e roteiro. Um daqueles filmes perfeitos, com nada fora o lugar, que não deixam ninguém na platéia se mexer na cadeira até que entrem os créditos finais. Porém, os mais sensíveis, que não resistem à foto de uma tartaruga devorada por urubus, devem se prevenir para a cena em que Niki Lauda é submetido a uma aspiração nos pulmões. Mas vale o prazer de rever uma Tyrrell de seis rodas!

Até o autódromo de Interlagos é recriado, com mulatas de escola de samba requebrando entre os carros dos pilotos pouco antes da largada. E volta à memória o Copersucar, o carro de fórmula 1 fabricado pela ditadura militar brasileira. Produzido num período obscuro, o carro amarelinho pilotado pelos irmãos Fittipaldi, talvez por isso mesmo, vivia na lanterna. E foi por causa da abrupta saída de Emerson da McLaren, que Hunt ganhou um carro competitivo para enfrentar Lauda.

Os estereótipos da mídia classificavam Lauda como o careta cerebral e Hunt como o doidão arrojado. Era mais ou menos isso mas o ótimo filme revela nuances que escaparam aos holfotes nos anos 70. Lauda também era muito louco em sua obsessão pela perfeição e Hunt na verdade não era tão destemido quando se apregoava, tanto que encha a cara na véspera de tão nervoso e vomitava antes de cada corrida.

Na verdade, Lauda era um gênio na arte de acertar os carros, sabia ajustá-los melhor que os mecânicos. Hunt era o maluco que tinha coragem de ultrapassar naquele espaço em que nenhum outro piloto se arriscaria. Isso sem falar nas diferenças culturais e de comportamento entre um austríaco contido e um inglês espalhafatoso.

Lauda chegou a abandonar uma corrida na chuva pensando no que ele e a mulher já haviam passado. Hunt deixou que a sua fosse para os braços do ator Richard Burton e não mudou uma vírgula em seu jeito de encarar a vida.

Os anos seguintes tornariam essa dualidade ainda mais nítida. Hunt parou de correr dois anos depois da fatídica temporada relatada no filme e morreu aos 45 anos, por conta dos excessos. Lauda está aí até hoje, trabalhando na F1, e ainda ganhou outro campeonato sete anos depois do acidente. Em certo momento, Lauda diz que Hunt precisa se dedicar para que a disputa continue. Ao que o outro responde: já fui capeão, agora vou curtir.

De que adianta arriscar tanto a vida  e não aproveitar o lado bom da grana e da fama?, questiona o inglês.

Apesar de desdenharem um do outro, eles eram altamente dependentes, visto que um estimulava o outro a ser melhor. Foi a insuportável imagem de Hunt no pódio que fez Lauda voltar às pistas 47 dias após quase morrer queimado num acidente. E foi Hunt quem tomou as dores do adversário quando agrediu o jornalista que perguntou ao austríaco numa coletiva se sua mulher continuaria casada com ele depois da deformação de seu rosto pelas queimaduras.

Repito que não suporto corridas, mas esse filme prende a atenção do início ao fim. Mais do que um mergulho no automobilismo dos anos 70, quando morriam em média dois pilotos todos os anos, Rush é uma viagem pela alma humana, pela vaidade, pelo companheirismo, pela força e pelas fraquezas que unem os grandes campeões e os mais anônimos dos mortais.


domingo, 15 de setembro de 2013

Assim falava Zaratustra


Parecem foguetes apontados para o céu.

Foto: Marcelo Migliaccio

"E Deus criou o homem à sua imagem e semelhança"...

Foto: Marcelo Migliaccio

E nos deu assim a esperança de encontrar uma janela para o céu.

Foto: Marcelo Migliaccio

Nem que seja numa nave espacial pronta para subir.

Foto: Marcelo Migliaccio

Para algum lugar que não seja aqui...

Foto: Marcelo Migliaccio


Eram os deuses astronautas?



sexta-feira, 13 de setembro de 2013

A quantas anda

Desta vez foi em Mato Grosso do Sul. O motivo da briga: uma garota espalhou desodorante na sala de aula. Uma outra disse ser alérgica e combinaram de se engalfinhar na saída. A mais velha, de 15 anos, já mãe de uma menina que completou um ano no dia seguinte, chutou várias vezes o rosto da outra enquanto esta estava caída. Se os ídolos do MMA fazem, que mal há nisso? Se agredir sem dó virou esporte, vamos praticá-lo. A selvageria travestida de arte marcial movimenta milhões nas arenas e nas TVs.

Massificaram a pancadaria, glamourizaram o chute na cara e deu nisso. Toda a molecada consome. Bater numa pessoa caída é o cúmulo da covardia, mas no UFC é nobre, é o que os heróis do momento fazem. Nas lojas de brinquedo, bonecos do Minotauro disputam a atenção da garotada com os do Homem Aranha, que está apanhando feio. Claro, vão dizer que uma coisa não tem nada a ver com a outra. O mundo inteiro está praticando essa luta sem regras nem ética, então o Brasil, em seu complexo de vira-lata, vai nessa também, além do mais dá dinheiro. Na escola sul-matogrossense, uma facada mortal encerrou a briga, que envolveu quase 20 adolescentes. Quando vão prestar atenção no que nossas crianças estão se transformando?



LEIA TAMBÉM:
A cultura da violência


terça-feira, 10 de setembro de 2013

Mundo animal

O urubu até que não pode reclamar da vida. Na praia vazia de um dia de semana, sentindo a brisa do mar e experimentando mais uma vez o prazer da vadiagem. A felicidade seria completa se a correnteza trouxesse um filé de peixe fresquinho (ou quase fresco...)

Foto: Marcelo Migliaccio


_ Êpa! Que isso, maluco!!!

Foto: Marcelo Migliaccio


_ É bom demais pra ser verdade! Não pode ser... tá viva, ou tá só pegando um sol...? Só tem um jeito de saber...

Foto: Marcelo Migliaccio


_ Sozinha? E aí, tamos aí nessas carnes, belezura?

Foto: Marcelo Migliaccio


_ Tá morta, gente! Deus ouviu as minhas preces. Deve ter ficado presa numa rede de pescador, coitada... mas, eu tenho que fazer o meu papel, sabe como é... Pra isso que a natureza me paga...

Foto: Marcelo Migliaccio


_ Dá licença, moça. Se estiver viva, pode me dar um selinho que eu vou embora numa boa. Não mato ninguém, sabe, só faço meu serviço em prol do meio ambiente.

Foto: Marcelo Migliaccio


_ Iiiiiih, tava demorando. Sai fora! A nega é minha, ninguém tasca, eu vi primeiro! No meu barraco fica assim de gavião, quer dizer, urubu! Ô, ô, dá um tempo aí, mané!

Foto: Marcelo Migliaccio


_ É como já cantava o Tim Maia: "na vida a gente tem que entender, que um nasce pra sofrer enquanto outro ri". Bom, deixa eu me adiantar que daqui a pouco só vai ter o casco pra colocar em cima da lareira...

Foto: Marcelo Migliaccio


_ Vagabundo é foda, vai até por trás. Tem gente que gosta mesmo de rabada...

Foto: Marcelo Migliaccio


_ A próxima foto é imprópria para menores de 16 anos. Bom, mas se eles vêem novelas e programas policiais, podem ver em que estado eu e meus amigos deixamos nosso banquete de hoje... Sexta-feira 13, Hora do Pesadelo e O Massacre da Serra Elétrica perdem...

FOTO RETIRADA A PEDIDO DE LEITORES

Sorte que estamos no Rio, e até as cenas mais chocantes acabam emolduradas por uma bela paisagem.



quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Pimenta nos olhos dos outros

No início do ano 2000, depois da falência da editora Bloch, onde eu trabalhava, surgiu a possibilidade de ir para São Paulo, ocupar uma vaga de redator na editoria de economia do jornal O Estado de S. Paulo. Eu nunca havia sequer lido reportagens da seção econômica, pois, além de o tema não me interessar nem um pouco, eu achava, e talvez ainda ache, que tudo aquilo não passa de enrolação para justificar os absurdos do capitalismo, como a mais valia e os grandes monopólios.

Mas eu fui. Depois de nascer e crescer no Rio, e ter sobrevivido a Brasília, onde morei e trabalhei por quase três anos, achei que seria uma boa passar um tempo na terra da garoa. Só não esperava que aquela paisagem depressiva com 50 tons de cinza, e nenhum de azul ou verde, fizesse tão mal a um carioca.

Fui recebido no imponente prédio do Estadão, na marginal Tietê, pela então editora de economia, uma jornalista muito simples, levando-se em conta o cargo que ocupava, e acima de tudo simpática. Seu nome era Sandra Gomide. Ela viu que eu não entendia nada do assunto, mas me tratou muito bem e teve paciência comigo. Como sempre me virei, fiquei lá, enganando com arte, até que surgisse uma coisa melhor pra fazer.

Logo também fiquei sabendo que Sandra namorava o editor chefe do jornal, Pimenta Neves, um gorducho que andava pela redação falando alto com seu sotaque caipira. Sua pose era de um nobre em meio aos plebeus. Sua relação estreita com a cúpula do Estadão e seu salário alto pareciam não só encher seu ego mas fazê-lo transbordar.

Dias ou semanas depois, correu a notícia (como tem fofoca em redação, porque o jornalista nada mais é que um fofoqueiro profissional...): Sandra e Pimenta tinham rompido. Não me lembro bem se ela saiu de licença ou férias, mas o fato é que logo o chefão colocou outra pessoa na chefia da economia.

Um belo dia, eu estava de folga, num domingo, quando vi na TV notícias sobre um crime rumoroso. Naquela manhã, num haras perto da capital, um jornalista matara a ex-namorada que se recusava a reatar o namoro com ele. Pimenta assassinara Sandra com dois tiros, um deles no rosto e diante de uma testemunha.

Fiquei pensando nas vezes em que cruzei com o assassino na redação. Lembro até que numa dessas ocasiões, eu estava de barba por fazer e usando um gorro de maloqueiro (pra usar um termo paulista).

_ O que esse cara vai pensar de mim...?

Pois o cara diante de quem eu queria ter uma boa imagem, fazer o tipo jornalista do Estadão, havia cometido um crime torpe, por motivo fútil, sem dar chance de defesa à vítima.

Pimenta foi imediatamente afastado da redação. Escondeu-se na casa de um amigo e posou curvado numa cadeira de rodas para as câmeras que tantas vezes ele mandou que apontassem para outro Judas. Estranhei que a saúde daquele homem vigoroso que circulava entre nossas mesas falando alto tivesse se deteriorado em tão poucos dias. Entre os jornalistas, o clima era de perplexidade.  Um bajulador que havia pedido que o poderoso chefão escrevesse a orelha de seu livro mandou a editora arrancar o texto de todos os exemplares antes do lançamento. O livro chegou às lojas sem orelha e por isso foi apelidado na redação de "livro Van Gogh".

Um outro jornalista, com cargo de confiança dado por Pimenta, tentou aliviar na mesa do refeitório:

_ Ele agiu sob forte emoção... quem sabe o que está guardado nos escaninhos da mente...

Eu passei três longos e chatos meses na economia e depois fui para a editoria de cultura, chamada Caderno 2. Pimenta levou 11 anos para ir para a cadeia. Recursos e mais recursos de caros advogados garantiram que ele passasse todo esse tempo impune. Nesse intervalo a família de Sandra definhou. Seus pais adoeceram de tristeza e revolta e perderam tudo que tinham tentando lutar na Justiça contra um bem relacionado jornalista.

Só dois anos atrás, ele foi para a prisão.

E de lá pode sair agora, beneficiado pelo regime semiaberto. O benefício foi dado por uma juíza, uma mulher. A promotoria recorreu para evitar esse absurdo.

Dois anos de cadeia. No Brasil, essa é a pena por matar, por mera vaidade, uma jovem alegre e simpática.


quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Razões do quebra-quebra

A Polícia Federal anda com a corda toda.

Agora prendeu membros de uma quadrilha que abastecia os traficantes do Rio com fuzis 762. O bando bem vestido trouxe dos EUA pelo menos 500 dessas armas mortais escondidas em colchões. Durma-se com um barulho desses. São peixes grandes desta vez, porque favelados não viajam ao exterior para comprar fuzil.

Mas a PF investigou e prendeu.

Pouco antes, a mesma Polícia Federal prendeu criminosos do colarinho branco envolvidos numa fraude de milhões que lesou correntistas do antigo Banco Nacional, lembra? O slogan da instituição financeira, uma das maiores do país na época, era "o banco que está ao seu lado". Descoberta a fraude, o banqueiro Magalhães Pinto ficou ao lado de seus executivos financeiros no banco... dos réus.

E também por esses dias, a Polícia Federal desarticulou uma quadrilha que lesava os cofres do governo através de contratos fraudulentos do Ministério do Trabalho com uma ONG fantasma. A quadrilha recebeu R$ 47 milhões para, teoricamente, criar postos de auxílio ao trabalhador no Rio e em São Paulo. Mas o dinheiro público foi transformado em carrões importados na garagem da presidente da ONG. Um funcionário do Ministério do Trabalho e membros da quadrilha foram em cana. A PF prendeu.

Pois bem.

Os diretores do extinto Banco Nacional não passaram nem 24 horas na cadeia. Juízes lhes concederam logo habeas corpus.

Resta saber quando os traficantes internacionais de fuzis e os ladrões do Ministério do Trabalho vão sair da cadeia.

Nos últimos dez anos, a Polícia (do governo) Federal prendeu mais de 3 mil. A Justiça soltou uma penca deles. Os congressistas não se mexem para mudar o Código Penal e o poder econômico continua sendo um passaporte para a impunidade. Se o banqueiro tunga seus clientes e fica solto, que moral o sistema tem para censurar o pé-de-chinelo que pratica a saidinha de banco contra um aposentado?

Depois as pessoas se perguntam por que estão quebrando tudo por aí...

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

O velho amigo

Confesso que eu estava nervoso. Ansioso é a palavra, afinal iria reencontrar um amigo de quem fui muito próximo dos nove aos 23 anos. Nos encontrávamos duas, até três vezes por semana por causa do futebol.  Dos 23 até uns cinco ou seis anos atrás, nosso convívio não foi tão intenso, mas mesmo assim as lembranças de um tempo feliz, as alegrias e tristezas que vivemos juntos, nunca saíram da memória. E nunca sairão.

No metrô eu estava pensativo. Como meu amigo estaria agora. Ouvi dizer que ele mudou muito. Cheio da grana, fez até plástica. Disseram-me também que agora ele faz o estilão europeu. E o que mais me deixou cabreiro: meu amigo, que era tão popular, ficou meio esnobe, virando mesmo a cara para uma gente humilde que sempre esteve com ele, que com ele vivenciou emoções inesquecíveis.

Lá está ele, eu reconheci de longe.


Foto: Marcelo Migliaccio


O velho Maraca, pensei. Um pouco diferente... produzido, é verdade, mas é ele.


Foto: Marcelo Migliaccio


Certas coisas nunca mudam, nem com o passar dos anos. Resolvi não dar bola para as fofocas, para o que dizem das novas amizades do meu amigo com políticos e empresários. Chegaram até a envolver o nome dele em negociatas. Me recusei a acreditar. É ele! É ele!, eu disse a mim mesmo com um entusiasmo quase infantil de tão tolo.


Foto: Marcelo Migliaccio


 Mas, quando ficamos os dois a sós, comecei a notar as diferenças. Pra começar, ele encolheu, deve ser da idade. Meu amigo também anda meio solitário, deprimido. Cheio de... vazios interiores.


Foto: Marcelo Migliaccio


Suas amizades agora são outras. Festa estranha, com gente esquisita. Gente que não é daqui...


Foto: Marcelo Migliaccio


Das antigas amizades que tínhamos naqueles inesquecíveis anos 70, sobraram poucos. E não vieram para se divertir conosco, vieram para trabalhar.

Foto: Marcelo Migliaccio


Para não dizer que só vi um pobre enquanto estive lá, digo que vi dois. Olha o segundo aí.


Foto: Marcelo Migliaccio


Justiça seja feita, agora ficou melhor para ver o jogo, mais perto, se você tiver dinheiro para pagar os melhores lugares. É bom ver de perto um craque jogar, e hoje há muitos por aí...

Foto: Marcelo Migliaccio


... mas como idolatrar um jogador que, apesar de ser um dos maiores goleadores que já vi,  passa parte do jogo admirando sua própria imagem no telão do estádio? Na seleção do meu coração, Fred ainda é reserva do Manfrini. Porque o Manfrini era do Fluminense e o Fred é da Unimed. E eu sou Fluminense, não sou Unimed.


Foto: Marcelo Migliaccio


Os poucos que ainda se aventuram a tentar reviver um passado que não volta pedem aos profissionais mercenários de hoje que tenham a paixão clubística de antigamemte. Em vão, tudo mudou.


Foto: Marcelo Migliaccio


Meu amigo agora anda cercado de muitos serviçais...


Foto: Marcelo Migliaccio


Nem parece um estádio de futebol, mas um cinema de shopping center. A única diferença é que no shopping não tem cambista te oferecendo ingresso sob as vistas grossas de PMs e guardas municipais. Algumas coisas nunca mudam...


Foto: Marcelo Migliaccio


Foi um reencontro sem emoção. Meio constrangedor, não sabíamos o que dizer um ao outro, nem como proceder. Aos 50 anos, eu devia saber que tentar reviver um passado é um dos maiores erros do homem. O que passou, passou. Amizades também perdem a validade, chega um momento em que aqueles que um dia foram tão íntimos, nada mais têm a dizer um ao outro. Meu amigo perdeu a alma, agora é igual a tantas e tantas arenas insossas que surgiram por aí, sem história pra contar, sem um visual característico e sem o povo pra torcer.

No auge da nossa convivência, eu disse a mim mesmo uma vez: quando eu morrer, quero que minhas cinzas sejam despejadas aqui, dentro do Maracanã, onde vivi alguns dos melhores momentos da minha vida. Mas o que eu julgava impossível aconteceu... o Maracanã morreu antes de mim.


Foto: Marcelo Migliaccio

Bye bye.



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Homenagem póstuma a uma paixão
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