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segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Um domingo perto do céu

Domingo de sol e mais uma vez virei as costas para a praia e tomei o caminho do Norte. Da Zona Norte, para conhecer um lugar que eu só havia visto de longe: a Igreja da Penha.

Igreja da Penha/ Foto: Marcelo Migliaccio

A imponente e majestosa obra, erguida em 1635 no alto de um morro de pedra. Não sigo formalmente nenhuma religião, embora saiba que todas têm seu lado bom. Aprecio a filosofia budista e um certo ritual rastafari... se é que você me entende.

Mas é difícil, mesmo para os mais céticos, não se encantar por esse maravilhoso templo, ainda mais numa linda e luminosa manhã dominical. Uma manhã fria na sombra e quente ao sol, com visibilidade ilimitada.


Igreja da Penha/ Foto: Marcelo Migliaccio

Logo ao chegar ao pé da montanha, uma surpresa. O Parque Shangai, um ícone da diversão na década de 50, persiste! No coração da Penha, embaixo do santuário católico e ao lado da gigantesca favela da Vila Cruzeiro, agora ocupada pela Polícia Militar. Ossada, espera-se, daqui por diante, só a da caveira que enfeita o trem fantasma do parque.


Igreja da Penha/ Foto: Marcelo Migliaccio

A escadaria de 368 degraus desafia os pagadores de promessas. Haja joelho!


Igreja da Penha/ Foto: Marcelo Migliaccio

Essa outra mulher, mesmo com seus cerca de 100 quilos, agradeceu heroicamente a graça alcançada.


Igreja da Penha/ Foto: Marcelo Migliaccio

Perto, bem perto, na Vila Cruzeiro, era dia de pelada na quadra. Adriano Imperador, cria local, faltou. Talvez tivesse escolhido fazer um programa diferente: ir ao Flamengo treinar...


Vila Cruzeiro/ Foto: Marcelo Migliaccio

Quem não faltou foi a torcida visitante, com seu uniforme azul e seus rojões em punho, sempre de olho no jogo. E nos jogadores. As armas continuam à vista, só que em outras mãos.


Vila Cruzeiro/ Foto: Marcelo Migliaccio

UPP à parte, o domingo na igreja nada tinha de tensão. Para essas meninas, deverá ser um passeio do qual nunca mais se esquecerão.


Igreja da Penha/ Foto: Marcelo Migliaccio

O pai bem que tentava tirar um cochilo, mas a meninada corria pra lá e pra cá, obrigando-o a manter sempre um olho aberto. Entre um ronco e outro aplicava sermões vigilantes.


Igreja da Penha/ Foto: Marcelo Migliaccio

Lá dentro, o padre realizava um batizado, um não, vários. Como se fabrica criança nestas terras!


Igreja da Penha/ Foto: Marcelo Migliaccio

O belo altar por testemunha.


Igreja da Penha/ Foto: Marcelo Migliaccio

Taí um passeio que eu recomendo a qualquer casal. O mar de barracos na paisagem não assusta os apaixonados.


Igreja da Penha/ Foto: Marcelo Migliaccio

Não dá pra reclamar do visual em volta, afinal foram 500 anos de exclusão social e concentração de renda nas mãos de uns poucos. Brizola esteve aqui, mas uma andorinha não faz verão.


Ciep na Vila Cruzeiro/ Foto: Marcelo Migliaccio

E o PAC do PT também veio. Só que não se tira a diferença de uma discriminação secular em oito anos. Talvez nem em oitenta...


Teleférico do Alemão/ Foto: Marcelo Migliaccio

Tem gente que não está nem aí pra política. Dorme tranquila, pelo menos...



O grupo de jovens que testa sua vocação no seminário São José, no Rio Comprido, fez uma visita à igreja. Logo na escada, uma prova de fogo para qualquer aspirante ao sacerdócio.


Igreja da Penha/ Foto: Marcelo Migliaccio

Mas eles resistiram bravamente e seguiram seu caminho. Subiram orando, eu vi e ouvi.


Igreja da Penha/ Foto: Marcelo Migliaccio

Hora de ir embora e uma mãe chega para preparar a festa de seu filho e mais 30 colegas no Parque Shangai. O bolo é por conta do aniversariante. Para que a criançada se divertisse nos brinquedos das duas da tarde às dez da noite, os pais pagaram R$ 600.


Parque Shangai/ Foto: Marcelo Migliaccio

Não fiquei para a festa no parque cinquentão. Mas saí comemorando ter conhecido de perto o santuário da Penha.


Parque Shangai/ Foto: Marcelo Migliaccio
Um santuário que é um símbolo do Rio.

Foto: Marcelo Migliaccio

11 comentários:

  1. Lendo essas linhas, lembrei-me da época em que namorava uma menina de Pedra de Guaratiba, nos finais de semana, sempre íamos conhecer um lugar diferente no Rio, certa vez fomos a Igreja da Penha, subir sua escadaria foi uma festa, contamos todos os degraus.

    Uma vez, levei meu filho no parque Shanguai, nos divertimos bastante.
    Quando ainda existia o Tívoli Park da Lagoa, o parque Shanguai era chamado de Tivoli Porco, um apelido sem graça, que depois de muitos anos vi que não fazia sentido.

    Cury

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  2. Contamos 365, fiz até uma comparação que seria um degrau para cada dia do ano.
    Mas faz tanto tempo, que pode ser que tenham colocado um patamar com mais alguns degraus no início ou no fim da escadaria ou então não contamos com muita precisão, devido ao cansaço.

    Grande abraço.
    Cury

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  3. A tua "foto do dia" (passarinho na gaiola) mostra uma das grandes sacanagens que uma pessoa pode fazer.

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    1. Pior que acho que não é a maior delas, Marcelo. Tem gente que mata.

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  4. Olá, Marcelo.

    Tudo bem?

    Somos da equipe de conteúdo da Nave do Conhecimento, projeto social-educativo que está para ser inaugurado na Penha [pracadoconhecimento.org.br]. Lá teremos um espaço chamado Galeria Digital, no qual expomos arte e fotos históricas, ou que ajudem a contar a história do bairro. Encontramos seu blog, ficamos encantados com a qualidade das imagens. Achamos que seria bem interessante expor suas fotos nessa galeria.
    Preciso que para isso, antes de tudo, claro, você nos autorize a utilizá-las.
    Entramos em contato pelo Facebook tb, pois não encontramos seu email.

    Obrigada.

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    1. Oi, Pri, pode usar as fotos sim, claro. Um abraço

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    2. Muito obrigada, Marcelo.
      Caso seja possível, nos envie seu email e entraremos em contato para enviarmos fotos da exibição.

      Abraços.

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    3. Pode mandar para blogrioacima@gmail.com. Abração

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  5. primeira vez na Igreja da Penha? que atraso, hein?
    Recomendo a Quinta da Boa Vista... rsrsrsrs
    abraços!

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