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segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

As 35 melhores frases de efeito

Foto: Marcelo Migliaccio


- O que não tem remédio, remediado está. (Anônimo)

- Sou livre de qualquer preconceito: odeio todo mundo indistintamente. (W.C. Fields)

- O bom humor é a única qualidade divina do homem. (Arthur Schopenhauer)

- A vida é maravilhosa se você não tem medo dela. (Charles Chaplin)

- Só há dois tipos de pessoas felizes: as mulheres casadas e os homens solteiros.  (H. L Mencken)

- Nunca tive problemas com drogas, só com a polícia. (Keith Richards)

- O mais feroz dos animais domésticos é o relógio de parede: conheço um que já devorou três gerações da minha família. (Mario Quintana)

- Não ligo que me olhem da cabeça aos pés, porque nunca farão minha cabeça nem chegarão aos meus pés. (Bob Marley)

- Melhor sofrer uma injustiça do que cometê-la. (Sócrates, o filósofo)

- Não é preciso entrar para a História para fazer um mundo melhor. (Mahatma Ghandi)

- Conhece-se melhor a Deus na ignorância. (Santo Agostinho)

- A melhor maneira de tornar as crianças boas é fazê-las felizes. (Oscar Wilde)

- Ninguém consegue enganar-nos melhor que nós mesmos. (Johann Goethe)

- Não é que eu tenha medo de morrer. É que eu não quero estar lá quando isso acontecer. (Woody Allen)

- Em matéria de sofrimento, só perdi pra Jesus Cristo e mesmo assim nos pênaltis. (Bezerra da Silva)

- Pobre quando come frango um dos dois tá doente. (Aparício Torelly)

- A democracia é a arte de administrar o circo a partir da jaula dos macacos. (H.L. Mencken)

- Nunca me senti só. Gosto de estar comigo mesmo. Sou a melhor forma de entretenimento que posso encontrar. (Charles Bukowski)

- A fé pode ser definida como uma crença ilógica na ocorrência do improvável. (H.L. Mencken)

- A mulher só conquista quando se faz de presa. (Simone de Beauvoir)

- Um homem que está livre da religião tem uma oportunidade melhor de viver uma vida mais normal e completa. (Sigmund Freud)

- A tolerância é a melhor das religiões. (Victor Hugo)

- Não bebo, não fumo e não cheiro, só minto um pouco. (Tim Maia)

- Há momentos na história de um país em que é melhor ser vaiado do que ser aplaudido. (Eduardo Dusek)

- A pior forma de solidão é a companhia de um paulista. (Nelson Rodrigues)

- Tartarugas conhecem as estradas melhor que os coelhos. (Kahlil Gibran)

- Aquilo que eu não sei é a minha melhor parte. (Clarice Lispector)

- Sou contra os noivados muito prolongados. Dão tempo às pessoas de se conhecerem melhor, o que não é aconselhável antes do casamento. (Oscar Wilde)

- A melhor definição que posso dar de um homem é a de um ser que se habitua a tudo. (Fiodor Dostoiewski)

- É melhor ter um rendimento permanente do que ser fascinante. (Oscar Wilde)

- O amor vence tudo, exceto pobreza e dor de dente. (Mae West)

- Mesmo quando não havia nenhuma esperança, procurei dar o melhor de mim. (Orson Welles)

- O mundo dá muita volta. (Anônimo)

- Na condução das questões humanas não existe lei melhor do que o autocontrole. (Lao Tsé)

- Esse mundo está se tornando tão perigoso que um sujeito pode se dar por satisfeito se sair dele vivo. (W. C. Fields)

sábado, 28 de janeiro de 2012

Dercy Gonçalves



Devorei a biografia da atriz Dercy Gonçalves (1907-2008). Não vi a minissérie, que foi muito elogiada, mas aposto que o livro dá uma visão muito mais ampla e detalhada dos 101 anos de vida dessa mulher impressionante. Uma amiga minha, que como muita gente tem preconceito contra a Dercy, desdenhou: "Não é só porque ela viveu mais de 100 anos que tudo que ela fez é certo".

Claro que não, mas viver tanto com saúde e trabalhando até o fim não é para qualquer um. É uma prova de força, principalmente em se tratando de uma mulher num mundo dominado pelo macho.

Dercy perdeu a mãe ainda menina e teve que se virar numa família desagregada por um pai violento. Fugiu de sua cidade natal tachada de puta por todos quando ainda era virgem. Decidiu ser atriz nos anos 20, época em que essa profissão era quase marginal, e foi se virando, se defendendo de tudo e de todos, ganhando seu sustento dia a dia, apesar da confessa falta de educação e de estudo.

Durante décadas, foi alvo do escárnio da sociedade moralista e repressora, que sempre precisa de um judas para malhar. Seu hábito de falar palavrões, ou melhor, de, como ela define, pontuar as frases com palavrões foi um prato cheio para seus detratores. Sua comunicação fácil com o público, no entanto, permitiu que não sucumbisse e sumisse da ribalta como tantos outros.

Dercy sobreviveu a muitos altos e baixos (por isso adoro biografias, que nos mostram que temos que nos acostumar com a gangorra da vida). Nas vacas magras, ela chegou a dividir um prato feito com o marido num botequim; nos bons tempos andava com 25 quilates de diamantes nos dedos. Perdeu tudo e ganhou de novo várias vezes, mas jamais deixou de andar de cabeça erguida.

Nunca foi de beber nem usou drogas ilícitas, mas fumou durante décadas e muito (chegou à incrível marca de quatro maços por dia). E abusou dos doces e das frituras, o que prova que, em se tratando do ser humano, a ciência pouco sabe. Viveu um século e vão dizer que se fosse natureba teria vivido dois. Mas quem quer viver 200 anos? Só lembro do Beto Guedes...

E Dercy foi vivendo, vivendo. De tanto viver, viveu para ver seu talento reconhecido e para conquistar o respeito do público e da classe artística. Nunca foi plena no amor e mostrou que é possível ser feliz sem esse artigo tão raro quanto decantado. Venceu um câncer, fez oito abortos, foi estuprada pelo dono de um grande jornal de Londrina (PR), fez tantas plásticas quanto pôde, criou uma filha com decência e, depois que seu talento foi enfim reconhecido, recebeu muitas homenagens (inclusive na sua cidade natal, de onde saiu escorraçada) e ganhou toneladas de troféus. Desses, guardou uns poucos. A maioria jogou fora. Segundo ela, não valiam nada, eram gestos oportunistas da mesma gente hipócrita que por tantos anos a segregou. Dercy foi assim: autêntica, verdadeira e nesse livro não tem pudores em confessar suas fraquezas e defeitos.

Escrita por Maria Adelaide Amaral com base em dez horas de depoimentos gravados quando Dercy tinha 87 anos, essa biografia é imperdível para quem quiser entender um pouco melhor os mistérios da vida e a sociedade brasileira.



quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Charlie Chan e o desabamento

Marcelo Migliaccio
Villa-Lobos (ou será Carlos Gomes?) estava de costas para a tragédia


Compro ou não compro esse DVD do Charlie Chan?

Poderia ter sido meu último pensamento, o derradeiro dilema da minha existência, se eu tivesse parado diante daquela banca de jornal na Avenida 13 de Maio cerca de uma hora e meia mais tarde. Eram seis e meia da tarde de ontem e, às 20h10, o prédio de 20 andares em frente ao jornaleiro desabou.

Foi um golpe de sorte. Dessa vez, escapei aos caprichos do imperador do acaso. Posso considerar que tirei a sorte grande, mas ninguém sabe o dia de amanhã, e é por isso que os bares e as igrejas estão lotados. Ou se acredita que alguém lá em cima está zelando por nós, ou a saída é apelar aos anestésicos...

Acho que o calor escaldante que fazia no Centro do Rio me compeliu a seguir adiante e a não parar naquela banca que vende DVDs de filmes clássicos a preços de antigamente. E é difícil achar por aí os longas em preto e branco do detetive chinês que resolvia os mais intrincados crimes de forma banal e estapafúrdia. Quando eu era pequeno, as películas de Charlie Chan (nada a ver com Charlie Sheen) eram exibidas na TV. Rever seus filmes é uma forma de voltar no tempo, não no espaço. Porque o espaço existe de fato, enquanto o tempo é uma invenção nossa.



O detetive chinês era o ator
sueco Warner Oland, bem maquiado

Hoje pela manhã, bem cedo, voltei à 13 de Maio, de bicicleta, claro. A nuvem de poeira ainda não se dissipara. Caminhões e caminhões recolhiam o que sobrou dos três edifícios (sim, outros dois ruíram em seguida). Bombeiros procuravam um suspiro, cães farejavam uma gota de suor ainda viva debaixo das toneladas de concreto. Curiosos se aglomeravam, na certa pensando que também foram befejados pela sorte por não estarem no lugar incerto na hora errada.

Dias depois, conheci um cara ainda mais sortudo que eu. Ele teria uma aula no prédio naquele horário fatal, mas faltou justamente no dia da tragédia que matou 20 pessoas. Aliás, conheci o cara no... bar.

Me arrisco a dizer que a tragédia ocorreu por duas razôes. Os contratantes da obra no nono andar, que, tudo indica, desestabilizou o prédio maior, nâo se preocuparam em notificar o Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura porque pensaram que acidente só acontece na casa do vizinho. Agora vem o pior: mesmo considerando a hipótese de um acidente, os contratantes da obra sabiam que estavam no Brasil, terra da impunidade. Se o prédio cair, a imprensa faz um carnaval por alguns dias, depois o caso cai no esquecimento e, após um processo que dura anos, um juiz absolve. Ovi dizer até que os donos da boate Kiss estão processando o Estado, acredite.

Não vi mais a banca que vendia DVDs do Charlie Chan. E o mistério da minha sorte naquela quarta-feira de cinzas talvez nem o herói do cinema desvendasse.


Marcelo Migliaccio

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Longe das praias




Mais um domingo nasceu lindo e fui celebrar pedalando. Dessa vez, no entanto, fugi da orla e parti para a Zona Norte. Meu destino era São Cristóvão onde há uma feira maravilhosa no único dia da semana que o sistema produtivo nos dá para efetivamente viver, ser feliz.

A feira não é dentro do Pavilhão, acontece fora dele, numa rua próxima. Tem de tudo, inclusive para manutenção de bicicletas.

O melhor da jornada foi a passagem pela Zona Portuária da cidade, que, desde que me entendo por gente, parece mais uma zona mortuária, tal a sua degradação. Armazéns abandonados, buracos na calçada e calombos no asfalto, mendigos, escuridão mesmo de dia, pois o elevado da Perimetral impede a chegada da luz solar na área do cais.

Tudo porém está mudando por lá. Há obras em vários pontos. Li que vão jogar 10 bilhões ali. A região vai ser revitalizada, tornando uma atração turística e um polo empresarial o primeiro cenário carioca visto por quem chega de navio.


E não havia um flanelinha pra botar esse transatlântico na vaga...

A Cidade Maravilhosa de um país que já produz mais riqueza que o Reino Unido (e ainda nem educaram nosso povo, imagine quando o fizerem!) merece ter um porto de primeiro mundo.

Mas fiquei pensando no que farão com os painéis do Gentileza, figura folclórica da cidade que andava pintando mensagens bíblicas e apocalípticas nas paredes. Nào sei se aquelas pilastras fazem parte da perimetral. Elas tiveram as pinturas restauradas e viraram patrimônio artístico. Acho que vão ser preservadas, espero. Quanto ao Gentileza, seu grafismo peculiar e sua principal mensagem ("Gentileza gera gentileza"), virou estampa de camiseta, adesivo etc, sem que sua família receba nada. Uma vez entrevistei uma de suas filhas, que nunca viu um centavo dessa grande indústria...


Hoje, Gentileza gera pirataria

Mas a maior jóia da Zona Portuária, eu conheci ontem. Chama-se Largo de São Francisco da Prainha, na Rua Sacadura Cabral, da qual eu sempre tinha ouvido falar mas onde nunca estivera. Fica na Gamboa (ou Saúde...) bem perto da Praça Mauá. Um pequeno recanto com uma pracinha e casas antigas, que, Deus queira, serão um dia recuperadas.


O singelo Largo de São Francisco da Prainha

Nas quase três horas de pedalada, não vi um pivete, um mendigo. Parece que foram mesmo empurrados para as cracolândias das favelas ou para bairros mais afastados do Centro e da Zona Sul. Ou então estavam dormindo mesmo porque, afinal, era uma manhã de domingo.

O Centro do Rio também está muito policiado e agora os turistas podem se maravilhar com a cúpula dourada do Theatro Municipal sem que algum velocista desperdiçado e órfão do Darcy Ribeiro passe a mão na sua máquina fotográfica...


Na Cinelândia dominical não tem estresse, só alegria. Atrás do teatro, à esquerda, o prédio branco que desabaria três dias depois.

O que deve merecer cuidado, principalmente por parte dos ciclistas numa calma manhã de domingo são os ônibus. Acho que alguns motoristas ficam revoltados de estarem trabalhando quando todos os que sofrem no trânsito dos dias úteis estão curtindo uma folga. O fato é que correm como loucos destoando da paisagem idílica de mais um domingo azul-verde-dourado no Rio de Janeiro.


quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Cena carioca

Foto: Marcelo Migliaccio
Depois de ganhar um autógrafo do poeta maranhense, a moça trôpega se afastou e comentou com um amigo: "Não sabe quem aquele, não? É o João Goulart!"



Se eu fosse paparazzo estaria perdido. Pra começar, a foto ficou fora de foco, porque tive que tirar discretamente devido ao teor explosivo do local. Em segundo lugar, a personalidade que flagrei não faria qualquer dessas revistas de fofoca pagarem um tostão furado pela imagem.

Poetas não interessam no mundo do Big Brother e das amigas popozudas do Adriano, mesmo que ele seja Ferreira Gullar, um dos maiores do Brasil.


Pouco passava das seis da manhã na Avenida Atlântica, e eu lá, na minha pedalada matinal. Várias vezes já cruzei com o Ferreira Gullar no bairro. Ao andar por Copacabana, das duas uma: ou você esbarra nele ou no Fausto Fawcett (sem a Kátia Flávia). E o mais curioso é que o poeta maranhense está sempre impecável, mesmo nas primeiras horas do dia. Enquanto quem não virou a noite exibe aquela cara amassada de sono, o Ferreira não, parece que já acordou há horas e que acabou de resolver um assunto no banco. E o dia nem bem começou... mistérios de poeta.


Bom, eis que o vejo admirando um artesanato feito com latinhas de cerveja e refrigerante perto de um conhecido bar onde americanos parecendo ter saído da base afegã de Restrepo encontram garotas brasileiras que adoram se estrepar em troca de uma mixaria.


Mas o Ferreira não tinha nada a ver com aquela pegação de fim de noite. Estava apenas de passagem, admirando a arte popular do artista anônimo.


Enquanto eu contemplo tão cândida cena num cenário tão encapetado, ouço uma voz pastosa atrás de mim.


_ Dem um babel aí?


_ O quê? _  pergunto.


_ Um babel, cara, eu preciso de um babel implora a garota muito mais pra lá do que pra cá.


Quando decifrei que um babel era uma folha em branco, não entendi nada, pois, devido às condições locais de temperatura e pressão, pensei que ela queria outro tipo de papel, o papelote, tão presente nas noites cariocas.


Mas a moça só desejava um autógrafo do poeta, imagine!


Arranjou um babel e chegou-se a ele, tímida, evergonhada. Solícito e atencioso, Ferreira Gullar assinou e conversou um pouco com ela, educadamente e desinteressadamente, diga-se. Depois, continuou a examinar os cavalos e bicicletas feitos de latinhas de alumínio.


Para cororar a historinha real, deixo um clássico da poesia de Ferreira Gullar, Traduzir-se, que está para a sua obra como a música Emoções está para a do Roberto Carlos.





Traduzir-se

Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.
Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.
Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.
Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.
Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.
Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.
Traduzir uma parte
na outra parte
– que é uma questão
de vida ou morte -
será arte?

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Operação Abafa

Vale tudo na disputa pelo milhão de reais, até negar que foi estuprada. Não vou me espantar se a jovem, quando for eliminada do programa, processar a emissora


Um monte de jovens confinados numa casa cenográfica e dispostos a tudo para ganhar um grande prêmio em dinheiro.

Depois de dias e dias de tensão, a produção do programa lhes oferece álcool à vontade. E energéticos, fomando a combinação desaconselhada por qualquer médico. Festa. E mais álcool. E mais energéticos.

Loucos para transcender daquele covil neurotizante transmitido em rede nacional de TV, os garotões e garotonas enchem a cara.

A menina desmaia na cama de tanto beber.

O rapaz chega por cima, dá vazão a seus instintos animais reprimidos.

Nas redes sociais, escândalo. Estupro ao vivo no reality show. Um crime via satélite etc. A imagem é clara, dizem os internautas.

Os sites começam a repercutir. Pressionado por repórteres, o diretor do programa diz que não viu nada de anormal. O apresentador ignora a polêmica, nem toca no tema. A emissora edita a cena e mostra poucos segundos. Quem viu no pay per view, viu, quem não viu... Revoltada, a mãe da jovem garante em entrevista ao jornal Extra que vai processar o garanhão.

Subitamente, os vídeos da cena somem do Youtube. Na manhã de sábado, a jovem, cheia de ressaca e sem graça, nega o estupro. Diz que foi consensual, embora tenha comentado pouco antes com uma colega que nem se lembrava de como chegou até a cama. A mãe dela some do noticiário. Juristas dizem que só haverá procedimento legal se a vítima prestar queixa. Então, não haverá nada, certo?

Errado.

A Polícia Civil bateu no estúdio. O bagulho ficou sério.

À noite, sem muito alarde, o apresentador informa que o participante que não conseguiu se conter foi expulso do programa por "infringir as regras". Um eufemismo, na verdade ele cometeu um crime. Para justificar todo o malabarismo feito para que o caso caísse no esquecimento, o mestre de cerimônias da atração frisa que a decisão foi "criteriosa", "sem precipitação" e depois de uma análise minuciosa nas imagens. Aham...

A quem cabe dar segurança aos participantes de um reality show? É bom as emissoras pensarem nisso, porque nem sempre as coisas correm como está previsto.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Perguntas sem resposta

- Onde está o governador do Rio, que não aparece para explicar por que quase nada foi feito na região serrana desde os temporais que mataram cerca de 1.500 pessoas há um ano?

- Por que a grande imprensa não mostra as imagens das procissões de viciados em crack vagando pelas ruas de São Paulo desde que a PM desmantelou as cracolândias do centro velho?

- E os assaltos a mansões no Morumbi e nos Jardins, por que não aparecem nos noticiários em rede nacional? Miséria, vício e crime só são assuntos quando ocorrem no Rio?

- Qual a razão de a mesma imprensa dar ênfase nas manchetes à decisão do governo brasileiro de proibir a entrada de novos haitianos no país e não à iniciativa humanitária do mesmo governo de legalizar os mais de 3 mil que vieram em busca de trabalho e permitir que tragam suas famílias?

- Se a tortura é crime, por que um programa de TV pode manter oito participantes de um reality show presos dentro de um carro por mais de 12 horas? Sofrimento é entretenimento?

- Se os médicos mais importantes da Argentina se enganaram ao "descobrir" e "tratar" um câncer inexistente na tireóide da presidente Cristina Kirchner, nós, reles plebeus, podemos confiar na medicina?

- Por que cresce tanto a igreja evangélica do "apóstolo" Valdemiro Santiago, que acaba de inaugurar um templo para 100 mil pessoas em São Paulo?

- Por que o Supremo Tribunal Federal não aceita ser fiscalizado pela corregedoria do Conselho Nacional de Justiça?

- Por que os jornais, revistas e emissoras de TV praticamente ignoraram as denúncias contidas no livro A privataria tucana?

- Por que com tantos problemas de tráfico de drogas e milícia no Rio, a Polícia Civil decidiu perseguir os anotadores de jogo do bicho?

- Por falar em polícia, quando a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente vai fazer uma operação para prender os agenciadores de menores a pedófilos que passam as noites oferecendo crianças nos bares de Copacabana? É só ir na Avenida Atlântica de madrugada para ver o triste espetáculo da exploração sexual infantil.

- E por que o jogo do bicho é proibido quando o poder público se beneficia de tantas loterias?

- Por que esmurrar o rosto de um adversário caído até que ele desmaie é considerado um "esporte", atrai cada vez mais adeptos no Brasil e virou atraçào do canal aberto de maior audiência?

- Onde vamos parar se uma empresa lança uma bebida infantil sem álcool similar aos espumantes para que crianças "brindem" nas festas de fim de ano?

Dizem que o hábito de beber é culturalmente aceito no Brasil. Então, crianças, saúde!

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Cavalos corredores

Outro dia, me deparei com uma partida de hockey, ou polo, na televisão. Esse jogo pode ser praticado sobre patins, sobre elefantes e até de bicicleta. Desta vez, era a cavalo. Como não é uma coisa comum ver aquele jogo em que quatro cavaleiros de cada lado tentam colocar uma bolinha no gol usando longos tacos, parei para ver.

Como espetáculo televisivo, é chatérrimo. Não dá pra passar muito tempo assistindo a um jogo em que você não consegue enxergar a bola. Tanto que sobrou para o Canal Rural transmitir. Um canal segmentado, líder de audiência nas cocheiras e estábulos.

Mas uma coisa salta aos olhos de um telespectador leigo como eu: os cavalos sofrem!

Os primeiros indícios desse jogo datam de 600 anos antes de Cristo, ou seja, quando ele foi criado não havia nem sombra da Sociedade Protetora dos Animais. À Inglaterra, chegou por volta de 1870, e o príncipe Charles, aquele mesmo que sambou com a Piná da Beija-Flor, é ou foi um de seus praticantes mais notórios. Chegou até a quebrar o braço em três lugares numa queda durante uma partida.

O fato é que se esse esporte equestre nasceu com os guerreiros bárbaros, mas hoje é praticado pela elite da elite. Gente que pode dispor de vários cavalos para usar durante uma única partida, tal é o desgaste dos animais.

Tendões, apesar da proteção, sofrem com as mudanças bruscas de direção impostas pelo caveleiro que persegue a bolinha e os adversários. E imagine os estragos que os arreios não fazem na boca do animal como o corre-freia e o direita-esquerda.

Numa das jogadas que vi na partida entre São José e Invernada, disputada no interior de São Paulo, um jogador simplesmente errou a bola e bateu o taco com toda a força na canela do seu próprio cavalo. Senti a dor pelo bichinho.

O jogo era pela Tríplice Coroa, e os cavalos penaram também com o calor que fazia.

O mais curioso é que o jogo tem faltas, mas todas que vi marcadas foram cometidas nos cavaleiros, nunca nas pobres montarias...

Para os homens, aquilo é um prazer lúdico, mas o cavalo não tem consciência do jogo. Para ele, me parece mais uma tortura do que um divertimento.

Foto de divulgação

sábado, 7 de janeiro de 2012

O imbecil

O bem mais valorizado hoje em dia não é o ouro, nem o dólar, nem o petróleo, nem a cocaína.

O artigo mais valioso na atual sociedade de consumo é o imbecil.

Um imbecil tem um valor inestimável para o sistema produtivo. Dê-me um imbecil e eu lhe darei o mundo.

Em todas as profissões, todos os chefes, diretores executivos, sócios majoritários e presidentes de empresas procuram desesperadamente por imbecis no mercado. Não há nada melhor que nomear um imbecil para o cargo imediatamente abaixo do seu. Ele nunca o ameaçará e jamais tomará seu lugar. Cumprirá as ordens mais absurdas sem pestanejar. Mesmo que esta ordem seja fatal para o destino da empresa ou da instituição, o imbecil jamais vai contestá-la. Cumprirá cegamente a determinação mesmo que isso o leve, a médio prazo, para a fila do seguro-desemprego.

E assim vão sendo nomeados gerentes, assistentes de direção, editores-adjuntos, assessores parlamentares, chefes de gabinete, ajudantes de ordem e uma série de outros cargos notoriamente ocupados por imbecis _ salvo as honrosas e lúcidas exceções, nas quais você, que já está pensando em me xingar, certamente se enquadra.

Essa gente deixa seus chefes absolutamente tranquilos, porque não terá competência, ímpeto ou talento para roubar-lhes o lugar.

Os anúncios de emprego deveriam colocar, ao lado da boa aparência, do domínio do idioma inglês e da pós-graduação, o requisito fundamental: que o candidato seja um irremediável imbecil.

Uma das razões para o imbecil cumprir à risca tudo o que lhe mandam fazer é que ele é um imbecil.

A outra razão é que todo o imbecil é, por definição, um medroso. Com pavor de perder seu emprego, o imbecil nem de longe pensa em questionar qualquer incumbência que lhe dão.

Talvez por isso o mundo tenha desenvolvido e dado poderes quase sobrenaturais à mais perfeita fábrica de imbecis que existe: a televisão. Desde que a criança nasce, seus pais _ que não têm saco ou tempo para educá-la _ entregam a pobrezinha à babá eletrônica. Como os professores das escolas públicas e particulares são na maioria dos casos um punhado de imbecis (não estou generalizando, falo apenas da maioria), os estabelecimentos de ensino não oferecem o contraponto necessário ao lixo que é despejado na cabeça de meninos e meninas desde a mais tenra idade pela TV.

O resultado é que, deseducada por sumidades como Ratinho, Luciana Gimenez, o casal telejornal, Adriane Galisteu e pelos autores de novelas das nossas emissoras, a criançada se transforma, lá pelos 10, 12 anos, em indivíduos sem senso crítico, sexistas, preconceituosos, consumistas, racistas, agressivos e machistas (inclusive as garotas).

O imbecil não tem senso crítico, ele não contesta, não analisa, não raciocina. Se é Carnaval, ele pula. Se é Natal, ele compra. Se é Réveillon, ele vai para a praia ver os fogos...

Agora, imbecil é até eleito para a Academia Brasileira de Letras...

E assim vamos renovando a manada de imbecis que transformaram nosso planeta nesta bela festa injusta e poluída.

Se é Natal, todo mundo compra...

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Das profundezas

A primeira vez foi em Florianópolis, na praia de Jurerê que ainda não tinha se transformado nessa aberração brega e caótica chamada de Jurerê Internacional.

A praia era um descampado de pequenos montes de areia branca e vegetação rasteira alternada com alamedas de eucalíptos. Havia poucas casas e um arrastão puxado do mar todas as tardes pelos pescadores.


Fiquei fascinado ao ver a riqueza e a diversidade da fauna que habita o fundo do oceano. Até então, meu único contato com as profundezas fora no seriado Nacional Kid, quando o super-herói japonês efrentava os terríveis seres abissais.


Em Jurerê, vinha de tudo na rede; de estrela do mar a caranguejo, de cavalo marinho a cação. Lembro que eu até ajudei a puxar o arrastão uma vez, contribuindo decisivamente para o sucesso da empreitada com meu físico esquálido de 10 anos de idade.


Talvez por força daquela experiência marcante, sempre paro nas peixarias para ver o que a maré nos trouxe.


Hoje, vi uma garoupa gigante no Posto 6.



A vendedora calculava uns 25 quilos. Só a beiçola deve pesar 300 gramas

Grande coisa, já vi na mesma bancada até tubarão.



Direto do cinema americano...

Crianças, não vejam a próxima foto. É de uma enguia assustadora capturada no Arpoador. Imagine a banca que o cara do arpão estava botando na areia para as popozudas, Tinha um monte de amiga do Adriano olhando embasbacada. "Ai, como era grande!"



Essa, nem Mike Nelson e nem Namor enfrentariam

Tá com obra em casa? Tem martelo aqui de sobra. E, se for romântico, uma viola no alto da foto. Esses dois mais chatos, o velhinho me disse que chamam-se Tamboril, mas eu acho que o corôa estava curtindo com a minha cara... tenho essa desconfiança...



Haja prego

Mas nem todos caem na rede. Tem uns que nadam, nadam e morrem na praia, o que, no fim das contas, dá no mesmo.



Bela pose para a posteridade

E, para finalizar, uma foto turística de um peixe que veio de longe para conhecer o Rio de Janeiro. Gostou.



Olha o passarinho!

Leia também:


A última lagosta de Copacabana

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Atração magnética

Esquina bíblica: Santa Clara encontra Nossa Senhora


Sinto uma atração inexplicável por Copacabana. A praia de Ipanema é até mais bonita, salgada e gostosa, mas não falo da praia. Falo do bairro.

Desde que eu, pequeno, ajoelhava diante das vitrines das lojas Circus (ainda existe!) e Carrossel para apreciar os brinquedos, me sinto em casa nesse bairro. Nunca morei lá, mas meu padrinho viveu a vida toda no (sub)bairro Peixoto, uma espécie de oásis dentro do superpopuloso aglomerado de 400 mil pessoas. Na infância, no entanto, morei por seis anos perto da Praça General Osório, que é o pedaço de Ipanema ainda contaminado pela alma de Copacabna. Da praça em diante, em direção ao Leblon, as coisas são mais chatas que lavar bule. Já lavou bule?

Copacabana é quente. Até nos dias frios, o calor das pessoas está no ar. Aqui, até os solitários têm companhia permanente.

As ruas são sujas e por vezes mal cheirosas (quando não é esgoto, é perfume barato), mas a riqueza humana e a diversidade desse bairro compensam o sacrifício de uma caminada. Mendigos, vagabundos, descuidistas, salteadores, crentes, umbandistas, camelôs, contínuos, magnatas, portugueses, índios, negros, nordestinos, particinhas e mauricinhos, pitboys e hare krishnas, esportistas e cachaceiros... e velhos, muitos velhos _ há de tudo em Copacabana.

Aqui é assim: junto e misturado


Em qualquer papo furado se aprende algo. Hoje, por exemplo, eu soube por um pescador da colônia do Posto 6 que os peixes se mandaram da orla por causa do foguetório da virada. E, até esta manhã, poucos haviam voltado para cair nas redes sedentas.

E tem UPA, UPP, CV, NA, BNH, THC, PT, PDT, PQP, LSD...

Se um turista tivesse apenas 15 minutos para conhecer todo o Brasil, deveria passar esse tempo na esquina da Santa Clara com a Nossa Senhora de Copacabana. Tá tudo ali; e o mar, na segunda esquina.


E, mesmo lotado de gente, dá pra brincar de deserto do Saara na vasta faixa de areia.


Quer meditar? Também rola


E as galerias... aaah... as galerias de Copacabana. Escuras e cheias de segredos. Sou um espeleólogo de galerias de Copacabana há anos.

Pobres dos brasileiros que acham que Copacabana são só aqueles fogos explodindo no céu uma vez por ano.

E enquanto não arranjei uma namorada de Copacabana, não sosseguei. As mulheres daqui não são artificiais como as de Ipanema e do Leblon. São mulheres de verdade, desfilando seus tamancos e sandálias.

Nascer do sol na Ladeira dos Tabajaras, em Copacabana

domingo, 1 de janeiro de 2012

O paranóico

Bom dia, feliz ano novo! (o ponto de exclamação é de festim)

Ei-nos aqui em 2012. Acordei cedo para pedalar e, depois de três quilômetros... o pneu furou. Outros achariam um mau presságio, mas eu acho apenas... que um pneu furou. Voltei pra casa empurrando o camêlo em meio à multidão que deixava Copacabana após uma noite de fogos e de fogo. Na certa, um caco de vidro de uma das muitas garrafas de espumante quebradas frustrou meu primeiro passeio do ano.

Tudo bem, voltei contemplando as mulheres carregando o sapato de salto nas mãos e com a maquiagem borrada, os pitboys acesíssimos graças ao energético com vodca e os catadores de latinha chafurdando nos restos da festa mais idiota que existe. Sim, porque a contagem do tempo é uma convenção criada pelo homem e, portanto, não significa absolutamente nada. Não existe nem mês, nem ano. O que há é dia e noite se alternando até que a morte nos separe para sempre do sol e da lua. Criaram o calendário apenas e tão somente para diferenciar o Zé da Silva que veio ao mundo em 28/3/1942 do Zé da Silva nascido em 13/7/2003.

Por falar em morte, faleceu o jornalista Daniel Piza. Fui contemporâneo dele no Estadão no início dos anos 2000. Nunca trocamos uma palavra. Sua concepção de mundo e de vida era completamente diferente da minha. Lamento a tristeza de seus familiares. Diferentes nas ideias, somos igualados pela condição humana.

Sou o cara mais impressionável do mundo quando se trata de doença. Talvez seja pelo pavor que tenho de médicos e de hospitais. Basta eu ouvir falar de uma enfermidade para já ficar imaginando que sofro daquele mal. Só no último mês, "tive" um câncer na garganta, um infarto e uma hepatite B de sobremesa. Hoje, foi um AVC como o que matou Daniel Piza aos 41 anos. Até agora, escapei ileso de todos.

Sempre fui assim. Detesto programas ou reportagens sobre saúde porque começo a ficar grilado. Sei que é uma coisa esquisita, mas todo mundo tem seu lado personagem de Woody Allen.

Bom, para uma doença virtual e paranóica, posso ir a um culto do "apóstolo" Valdemiro Santiago, onde as pessoas jogam cadeiras de rodas para o alto e, dizem, até ressuscitam. O cara não é fraco, não...