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quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Descanse em paz

Essa foi a última visão que tive dela.


Conheci aos 8 anos, quando cheguei na Urca. A Praça Cacilda Becker, que ninguém conhece pelo nome da atriz homenageada mas como Quadrado, tornou-se minha casa. Pelos 16 anos seguintes, nossa turma se divertiu com futebol, polícia e ladrão, barrili, carniça, jogo de taco, garrafão... mais tarde namoro, transgressão e tudo mais.

E ela sempre lá. Já a conheci idosa, com uma copa que fazia sombra farta, tronco grosso e enrugado, raízes que levantavam o chão de terra e, anos depois, também o de calçamento. E ainda dizem que concreto é mais forte que madeira... não se a madeira for viva.



Eu achava as amendoeiras do Quadrado imortais. Minha turma cresceu, se dispersou pelo mundo, estudou, trabalhou, casou, separou e, quando trouxe os filhos para conhecer a praça da nossa infãncia, as mesmas árvores ainda estavam lá. As nossas íntimas amendoeiras de sempre, que viram nosso riso, nosso choro, nosso medo e nossa coragem diante da vida.

Depois de nós, vieram outras gerações. E, como velhas professoras que veem passar diante de seus olhos levas e levas de alunos, aquelas árvores testemunharam as manobras dos novos meninos da praça na pista de skate.

Mas nem a elas foi dado o dom da eternidade. E, dia desses, ao passar pela praça, levei um choque.

Uma das grandes amendoeiras havia morrido. Desidratada pelos parasitas que se enredaram em seus galhos, ela sucumbiu. Jamais pensei que ela partiria antes de mim. Funcionários da Comlurb serraram suas raízes profundas e ainda firmes. Cortaram o mítico tronco em pedaços e colocaram no caminhão.

Para eles, era um trabalho de rotina.

Mas, para mim, foi como perder uma velha amiga. Pelo menos pude me despedir dela.

9 comentários:

  1. Marcelo,faltou colocar o video:Eu quero o Rio antigo com Alcione.
    Pedro ....

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  2. Quando tiram uma árvore que morreu é triste,mas vá lá,triste mesmo,quando não revoltante,é ver "equipes" "podando" uma árvore até não sobrar quase nada. Em frente à minha casa podaram uma figueira linda,frondosa,que servia de abrigo para várias espécies de pássaros,até que podaram tanto a pobre que ela nunca mais voltou à exuberância original.
    Seu post me fez lembrar de uma mangueira que eu e meu pai plantamos na Tijuca,longos 30 anos atrás. Como que para provar que não só os maus exemplos são imitados,pouco depois plantaram outra mangueira. Elas estão lá,enormes,perto do Hospital Garfrée e Guinle,de vez em quando passo por lá e as saúdo em pensamento. Daria um bom poema de Casimiro de Abreu...

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  3. Bem lembrado, Pedro. Observador, deve ser uma emoção passar por essas mangueiras... abraços

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  4. Mauro Pires de Amorim.
    Concordo com o Observador, quando diz que se uma árvore está morta, tem mais que ser removida antes que provoque algum estrago desabando ou que sirva de infestação para pragas, principalmente o cupim. Igualmente estou de acordo com esse comentarista quando resalta que muitas vezes árvores são podadas ao extremo, ao ponto de ficarem com aparência mórbida e essa tem sido a política da atual administração municipal na gestão Eduardo Paes, que possuí muito mais simpatia pelas empresas de ônibus e empreiteiras que levantam prédios e condomínios, que só fazem crescer a densidade populacional de bairros e regiões da cidade já saturadas. Com isso, a gestão Eduardo Paes demonstra que não considera a qualidade de vida dos moradores do Rio de Janeiro como prioridade, preferindo bem mais o tilintar do vil metal acenado pelo meio empresarial.
    Felicidades e boas energias.

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  5. Prezado Marcelo, você sabe para onde vão todos os troncos de madeira que são cortados dessas arvores?
    Pois eu vou contar um caso verídico. A pouco meses atrás, em uma escola municipal no bairro de Santa Teresa, a Comlurb, teve que cortar uma árvore imensa no terreno. Apois o encerrado do trabalho , os troncos foram colocadao em uma caçamba.Um transeunte que estava passando. Perguntou ao responsável se podia pegar um tronco daqueles, para seu quintal para lhe servir de banco. A resposta foi que NÃO. Os mesmos já estavam vendidos ao preço de R$ 30,00 cada.
    Conclusão: O desmatamento para fiz lucrativo nos bolso dos mercenários, acontece aqui todos os dias e em todo o lugares.

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  6. Cena triste de ver. No jardim de minha infância havia dois pinheiros lindos, altos à beça. Mas aqueles natais não morrem nunca na memória.

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  7. Oi Marcelo,sem querer sair do tema e já saindo,rs vou lhe confessar.Hoje o que eu mais queria,era está no Rio de Janeiro para assistir o Elton John. E sobre o nome da Praça,enquanto morei no Rio levei algum tempo,para saber que o seu nome verdadeiro é Cacilda Becker.Coisas do nosso Brasil,o apelido é o que pega... Abs.

    Monica.

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  8. Dá aproximadamente uns 3 mil quilometros de distancia Marcelo. Boa noite.

    Monica.

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